sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Natal

Quem me conhece sabe que o Natal me deixa opaca. Não consigo distribuir muitos sorrisos na tal Noite Feliz. Gosto de ficar na minha, pensando se devo mesmo bancar a boazinha e abraçar quem eu sei que não merece. E também não me contenho em telefonar e chorar baixinho para quem eu sei que quer ouvir meus votos de felicidade. Sempre fui assim, não consigo fingir simpatia. Não chego a ser grossa, mas sei que meu silêncio incomoda algumas pessoas.
Por isso, nada de bichinhos bonitinhos, papai noel e pacotinhos com lacinhos. Meu "presente" para os poucos e fiéis leitores deste blog será simples, porém, significativo.
Desejo que vocês errem bastante em 2011, pois só assim a gente aprende. E que depois de cada erro, venha uma boa idéia(com acento ou sem, você decide). Desejo uma bagunça boa, dessas que a gente curte sem saber bem o motivo certo. Desejo boas risadas e várias gargalhadas barulhentas. Elas são o melhor remédio que existe, seja qual for a sua dor. Desejo crianças pela casa, elas animam qualquer lugar. Desejo sonhos realizados e novos sonhos, do tamanho que forem, mas sonhos fortes, que movam cada um de nós. Desejo sono renovador para os cansados e noites insones pra quem qur terminar logo, o que quer que seja. Ou, simplismente, para quem quer olhr o céu estrelado, isso é bom e não tira pedaço. Permitam-se. Ousem. Falem. Calem-se. Ouçam-se.
Ah, e leiam esse blog de vez em quando. Não muda a vida de ninguém, mas diverte.

Bjus da Bia

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Escrita

by Bianca Zasso

As letras no chão empoeirado
se aproximam.
Tua boca me socorre
decifrando o código
pra formar loucas e longas frases.

Não tenho tempo pra ler:
tua boca me percorre.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sabe quando...

...bate uma felicidade aparentemente inexplicável dentro do peito e uma canção persegue a gente, como uma prece, trazendo na letra e na melodia tudo que você quer que aconteça? Se não sabe, então vai ficar difícil entender esse post.

Bus da Bia

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Dialogar


Ela e ele, como sempre, às turras. Ele começa, com voz e jeito de quem sabe tudo.

-Cada cruzada de pernas femininas é um segredo querendo ser revelado.
-Uma cruzada de pernas é uma cruzada de pernas. E só.
-Você diz isso porque é mulher e não gosta de ter seus segredos revelados.
-Pra seu governo, não tenho nenhum segredo.
-Todas vocês têm. Seja um ex-amor não esquecido ou um cabelo branco.´
-Se cabelo branco fosse segredo, todos os salões de beleza só abririam de madrugada.
-Vocês são sutis e isso é encantador.
-Não vejo encanto na sutileza, vejo na elegância.
-E quer coisa mais encantada que um andar elegante? Ah, como vocês sabem balançar o corpo por aí.
-Eu tenho as pernas tortas. Se balançar muito, catapof!, eu caio.
-Mas e a tua pressa quando faltam 5 minutos para a primeira reunião do dia? Teu andar apressado é perfeito.
-A pressa é inimiga da perfeição.
-Não no teu corpo.
-Pára de ter resposta pra tudo!
-Prefere que eu minta?
-Prefiro a verdade sem magia. Dói menos quando a paixão acaba.
-Quem disse que vai acabar?
-Quem disse que não vai?
-Tá bem. Gosto de ti, simples assim.

Ela respirou fundo, sorriu. E cruzou as pernas sem pressa.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Era pra ser um roteiro, virou uma historinha

Sabia que não haveria bilhete embaixo do capacho ou preso na porta da geladeira. Ele não havia passado por ali. É bem provável que não tenha pensado nela durante o dia. Ela fazia o cansaço parecer maior para ocupar a cabeça com coisas que não tivessem a ver com ele. Foi cuidar de si com shampoo, sabonete e cremes perfumados.
Ela gosta como poucas da sensação pós-banho, que mistura dever cumprido com uma vontade lancinante de recomeçar. Parecido com o que ela sentia quando ele aparecia na porta.


Bjus da Bia

sábado, 27 de novembro de 2010

Afinal, o que eu quero?

Luiz Fernando Carvalho é um dos meus diretores favoritos, mas me tapo de nojo cada vez que surge a chamada da série Afinal, o que querem as mulheres? E não é só pelo charme do Michel Melamed e do Rodrigo Santoro, é pela dúvida mesmo. Eu, que amo ser mulher, tento não pensar nas complicações que isso me causa. Prefiro pensar que não quero nada. Da boca pra fora, é claro. Por dentro, eu não respondo essa pergunta em menos de 5 dias.
Quero amor, mas não quero amor piegas. Quero poder não sentir remorso quando esqueço de passar hidratante depois do banho. Quero comer doce e não ter culpa. Quero aprender a amar as rugas que surgem no meu rosto. Quero dividir meus sonhos, inclusive os impossíveis. Ganhar de presente a solidão algumas horas por dia. Observar a madrugada quieta. Olhar e me fazer entender. Olhar nos olhos. Beijar sem em preocupar com o momento de acabar. Quero uma paixão que me tire o ar por alguns segundos. Não precisa durar pra sempre, mas que a intensidade fique pra sempre. Quero um tesão não desses que se vende em revista. Quero algo que não precise de gritos, só de sussuros.

Preciso assistir, toda quinta, Afinal, o que querem as mulheres?

Bjus da Bia

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Cara feia

Cara feia. Taí um negócio que eu tinha medo quando era pequena. De certas pessoas da família eu só me aproximei depois de grande, poque quando eu era criança, morria de medo da cara delas. Nem todas eram carrancudas, não, tinha umas até bem delicadas. Mas sei lá...tinha uma coisa lá que me incomodava. Gente gentil demais sempre me deixaram em pânico. Sabe aquelas tias que apertam a tua buchecha e falam como se a gente tivesse um mês de idade? Não existia cara mais feia pra mim do que essa. A "meiguice" conseguia o feito de deformar titias e afins.
Cresci e perdi esse medo. Perdi não, escondi numa gaveta qualquer. De vez em quando ele salta e eu tomo uns sustos por aí. Mas essa encanação com cara feia me deu um hábito que muito me ajuda na minha profissão e nas minhas aventuras como escritora.
Adoro observar os rostos na multidão. Tá, não precisa ser multidão, pode ser consultório de dentista. Gosto dessa brincadeirinha divertida de tentar adivinhar o que pensa ou pra onde vai determinada pessoa. Sabe quando a gente vê alguém anotando algo na agenda? Eu fico logo pensando que pode ser uma carta de desculpas, ou então o início de um livro que vai ser sucesso. Tá, você aí do outro lado deve estar pensando: e se ela só estiver anotando que precisa comprar sucrilhos e leite? Fazer o quê.
Imaginação serve pra gente colocar graça na vida.

Bjus da Bia

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Cheiro...

Adoro comerciais de perfumes. Bobeia e eu escolho meus aromas pela propaganda. Mas esse da fragância Coco Mademoiselle, da Chanel, é de uma elegância única. Ah, e não é enganosa, não, viu?! O perfume é ótimo. Aliás, o meu tá acabando ;/
Ah, não deixem de ver o Behind the scenes, ok?!

Curtam! Bjus da Bia



Um poeminha pra acalentar os corações

Essa Bia anda que é uma doida, por isso, as idéias são muitas e o risco de um posto se transformar numa confusão da gota é grande. Pra acalmar as coisas, um poeminha saído do forno.

Acesa
By Bianca Zasso

Você trouxe a lâmpada
para o meu quarto escuro
e as lágrimas que passeavam
pela minha face
começaram a secar.

O café quente
acalmou minha garganta
silenciou meus desaforos
e colocou pra dormir
a fera que insistiu em morar aqui
na altura do estômago
me turvando a vista
e me tornando insone.

Lá fora é primavera.
Mesmo assim
o vento frio sopra no cômodo.
Se eu fosse você
apagava essa lâmpada
e vinha me acender.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Tudo termina aqui



Me chamem de louca, não me importo. Eu sei do peso que essa história tem na minha vida. Sentar na fila e esperar pra entrar na sessão de Harry Potter e as relíquias da morte - Parte 1 foi como voltar pra um lugar conhecido que a gente não visita há tempos. No caso, foram dois anos de espera pro lançamento da primeira parte de um final épico. Hoje percebi que cresci junto com a saga e que ela me fez quem sou hoje. Não só no quesito leitora voraz, mas na minha maneira de lidar com a vida. Tia Jo me ensinou a lidar com a morte e a dar valor aos poucos e bons amigos que a vida me deu. Foi uma sessão emocionante, com momentos de riso solto e algumas lágrimas. Sabe álbum de família, que a gente olha e relembra dos momentos registrados? É assim que eu me senti.
Logo mais virão os filhinhos e eu vou ter orgulho em dizer que fui da geração Harry Potter. E que venha a segunda etapa!

Te contei?

Já que teve que gostou (acredite, teve!) aí vai mais um conto dessa que vos escreve!
Bjus da Bia

ESCONDE-ESCONDE

Sabrina sabia. Era tímida até o último fio de cabelo. Cabelo esse que ela fazia questão que fosse comprido e cobrisse boa parte do rosto. Para ela não existia coisa mais triste do que perceber que estava sendo observada. Aí, meu pai do céu! Tem alguém me olhando. Alguém sabe se no quintal tem uma terra fofa, onde eu possa cavar um buraco e me esconder dentro?
Se dependesse dela, dormiria embaixo da cama, que é pra ninguém vê-la sonhando. Por que que toda vez que vem visita, a mãe da gente insiste em reunir todo mundo em volta da mesa? Será que eu não tenho o direito de comer tendo apenas a companhia das paredes do meu quarto? Elas são quietinhas, não ficam o tempo inteiro perguntando como está a escola ou se eu já sei o que vou ser quando crescer. E o melhor de tudo: elas não têm olhos.
A Júlia era a melhor amiga da Sabrina. E a Júlia a-do-ra-va trocar olhares com o Marcelinho, que era tido como o garoto mais bonito da escola, apesar de não ser muito chegado a lavar o cabelo ou usar perfume. E não é que ela sempre trocava esses olhares cheios de significados sempre na frente da Sabrina! A coitadinha não entendia como uma pessoa pode gostar de ser olhada e, ainda por cima, retribuir o olhar. Deus me livre e guarde, gritava a Sabrina. A Júlia até pensou em tentar ensinar pra Sabrina a arte dos olhares. Esquece, querida! Você só vai perder seu tempo. Sabrina sabe, como ninguém, que olhar não é com ela. Ainda mais olhar pro Marcelinho.
Tava um frio de rachar quando a Sabrina conheceu o Breno, primo da Júlia que morava no interior. A amiga vivia dizendo que ele vivia cercado de galinhas e pintinhos, que tinha um cavalo de estimação chamado Carrapato e que seu esporte preferido era nadar numa cachoeira cercada de mato e sabe mais Deus o quê. Enfim, um caipira de primeira grandeza. Não sabia mexer em computador e achava que passear no shopping era uma chatice sem tamanho.
Chegou a noite. Sabrina se cobriu com um cobertor pesado, mal podia mexer os pés. Pensou na Júlia, esperando o sono chegar. Lembrou da Júlia olhando o Marcelinho e depois, no Marcelinho olhando a Júlia. Pensou no Breno e em como devia ser a casa dele, lá na fazenda. Sentiu vontade de conhecer Carrapato, o cavalo. Lembrou do Breno olhando pra ela. Cobriu a cabeça com o travesseiro. Sentiu o ar faltar e jogou o travesseiro longe. Ficou quieta. Pensou seriamente na possibilidade de olhar para o Breno.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Norah, I love you


Esse post é em homenagem ao meu amado Rafa Guerra, que hoje vai assistir a musa Norah Jones ao vivo em Porto Alegre. Por motivo de força maior, eu não vou. Mas pode crer que, se desse, eu estaria lá ao lado dele cantando todas em alto e bom som. Isso sem contar que íamos tentar uma fotinho, né?? Bom show pra quem vai e boa madrugada ouvindo Norah no som pra quem fica.

Pra quem não conhece ou quer curtir a moça, aí vai um trechinho do super show que ela fez em Sampa.




Bjus da Bia

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Mulherzinha

Sou a maquiadora oficial da minha mãe e da minha turma de amigas. Tem festa ou entrevista de emprego? Lá vou eu e minha maletinha. A-do-ro meu cargo e não abro mão por nada. Isso sem contar o empréstimos de creminhos e truques de beleza. Mas nem sempre foi assim. Houve um tempo, mais precisamente quando eu tinha 12 anos, em que eu abominava maquiagem e qualquer coisa que lembra-se vaidade. Meus únicos rituais de beleza naqueles tempos tenebrosos eram tomar banho e usar perfume e desodorante. O que me fazia ser assim? Algum neurônio aloprado ou coisa do tipo, também podia ser a mais pura e tosca rebeldia. Se não há com o que se rebelar, deixa a juba crescer e fuck off! Mas, graças ao céus, existe o sábio e mano véio tempo que cura tudo. Eu me dei conta que não havia nada de mal em ser vaidosa e rebelde, que eu podia, sim, questionar o mundo e passar batom sem que uma coisa prejudicasse a outra. Hoje, nos meus armários, blush e rímel convivem em perfeita harmonia com livros e filmes. Aliás, eles não só dividem o mesmo teto como se completam. Clarice Lispector (Deusa!) assumia sua vaidade e suas feminices sem neuras. Talvez por isso tenha sido tão genial. Homem nenhum, por mais cheio de sensibilidade que seja, escreveria como ela. Tem coisas que só quem tira a sobrancelha consegue dizer.
Se eu sinto saudade dos meus tempos hipongas? Sinto...fui feliz apesar dos pesares. Mas hoje sou completa e faço minhas as palavras de Clarice:

Felizmente nasci mulher. E vaidosa.

Só uma coisa eu não agüento: salão de beleza. Mas isso é papo pra outro post mulherzinha.

Bjus da Bia, e fiquem com dicas ótimas de maquiagem com a It Júlia Petit

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Lista: coisas que eu queria

-Um emprego que me desse um bom motivo pra levantar da cama;
-Ganhar um festa de aniversário surpresa;
-saber cantar;
-ser realmente engraçada, pois eu adoro pessoas engraçadas;
-escrever bem de verdade;
-ser reconhecida pela inteligência;
-aprender a não deixar desandar o pudim de leite condensado;
-encontrar alguém para dividir os sonhos.

Bjus da Bia

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Mãe Miojo


Odeio comercial de margarina. Eles conseguem ser mais surreais que qualquer filme do David Lynch. E olha que do Lynch eu gosto, me dá mais barato que vodca com goiabada(se vocês nunca tomaram, eu não aconselho provar). No comercial de margarina, todo mundo acorda feliz, cheiroso, penteado e usando o último grito em Milão no lugar do pijamão estrupiado. Agora me diz, em que casa que o café da manhã é assim? Nem na Disney deve rolar uma coisa tão arrumadinha assim. O Pateta deve levantar de pantufa e com bafo, não tenho dúvidas. Mas mais impressionante que isso é a comida que tem na mesa. Pão caseiro cheiroso, manteiga derretendo...bom,né? Agora me diz que mulher hoje em dia se presta a fazer pão caseiro? Pior: se o pão tá sendo tirado do forno de manhã é porque ele foi feito durante a noite, certo? Que que deu nessa mãe? Tava com insônia e pensou: humm, vou fazer um pão caseiro! Daonde isso? Mães modernas quando tem insônia tomam um Rivotril e deu! Deitam e roncam.
Digo isso porque não existe mãe mais moderna que a minha. Ela é preocupada, chata, briguenta, grudenta e doidivana como toda mãe. Mas tem seus poréns e eu adoro. Por exemplo: sabe aquela imagem da mãe de avental, na beirada do fogão fazendo uma comidinha especial pro filhote? Pois é, minha mãe faz isso. Toda vez que eu chegava do colégio lá estava ela, falando sozinha sobre contas, trabalhos e os cabelos brancos que já estavam aparecendo enquanto a água fervia na panela. Vocês devem estar pensando que ela fazia um ravioli ou então uma macarronada das boas, com muito molho branco, certo? Bom, era massa, eu garanto. Mas não parecia nem ravioli nem macarronada.
Miojo,meus caros. Minha mãe fazia Miojo assim, simples e claro. Água quente, 3 minutos, tcharam! Eu comia quieta, mas sentia certa invejinha dos meus coleguinhas e suas mães prendadas e doceiras. Mas isso foi só por um tempo. Hoje, antes de chegar em casa eu sempre ligo e escuto a mesma coisa:
- A mãe já comprou Miojo e Danoninho pra ti. Ah, e um salgadinho novo que dizem que é ótimo.

Basta pra mim. Melhor que ter passado a infância vendo mamãe enfiar alface goela abaixo.

Bjus da Bia

Um conto, um ponto


Escrever ficção é hábito pra mim. Se eu parar, eu piro. Lead e afins tem limite, e a gente precisa de um pouco de loucura, às vezes. Por isso, na falta de boas ideias reais, vamos as mentiras saudáveis.

Bjus da Bia

BAÚ MOFADO

Vão fazer duas semanas que eu me mudei pra casa da minha vó. Não sei direito porque minha mãe me mandou pra cá. Talvez ela esteja precisando de um tempo. De uns dias pra cá, ela andava muito chata. Trabalho, trabalho e mais trabalho. Nem oi mais ela me dava. Sempre correndo, nunca suando. Nunca vi minha mãe despenteada ou com roupa de casa. Sempre batom, sempre spray fixador.
Minha vó sabe fazer sorvete. Eu pensei que só as fábricas soubessem fazer sorvetes. Demora um tempão, tem que achar o ponto certo, senão o sorvete fica mole. Minha vó não gosta que eu fique na cozinha. “Cozinha não é lugar de criança”, grita sempre, grita alto. Não me importo. Não gosto de cozinha. Minha mãe diz que quem gosta de cozinha vive cheirando à gordura. Estranho...minha vó não cheira a gordura...nem a sorvete. Pra mim ela tem cheiro de baú mofado, desses que guardam coisas velhas. Ou então cheiro de lavanda, daquelas que se põe no balde para limpar os banheiros.
Ela prometeu fazer sorvete de chocolate hoje. Duvido. Minha vó odeia chocolate. Diz que só serve pra deixar as crianças lambuzadas e gordas demais. Prefere mil vezes sorvete de creme, que é branco, cor de limpeza. Odeio sorvete de creme. Tem gosto de coisa velha.
O quarto que eu ganhei aqui é legal. Um pouco pequeno, mas é legal. Tem uma cama e uma cômoda com um espelho enorme. Minha mãe adora espelhos. A vó não deixou eu trazer as minhas bonecas, disse que elas não servem para nada, que logo logo eu vou crescer e elas não vão mais ter importância para mim. Trouxe uma, escondidinha, a Carlota. Ela deve ser a menor boneca do mundo, cabe na palma da mão. Eu ganhei ela num balão surpresa, no aniversário da Sarah. A coitada já tá meio desbotada, de tanto andar escondida na minha mão. De manhã, escondo ela dentro da fronha, para não correr o risco de vovó jogar ela fora durante sua faxina matinal. A porta do quarto range toda vez que abre. Parece aquelas portas de filme de terror. Não sinto medo dela. Ela é muito chata, isso sim! Barulhinho chato.
Acho que semana que vem, minha mãe vem me buscar. Espero que esteja menos chata. Gosta daqui, mas acho que já tá na hora de ir. A Luiza, minha colega, disse que casa de vó é o melhor lugar do mundo. Será que ela tem vó? Será que ela cheira a baú mofado e faz sorvete de creme? Será que ela pode ter bonecas no quarto? Será que a porta range?
Acho melhor guardar a Carlota dentro da gaveta da cômoda. Vai que minha mãe me esquece.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Caminho

Sabe quando chove, daí pára e começa a abrir um solzinho? Foi num dia assim que isso aconteceu.
-Manhê, eu acho que agora vai.
-Calma, não cria muita expectativa. Mas também não esquece de pensar positivo.
-Jesus, manhê! Como é que eu vou fazer essas duas coisas ao mesmo tempo?
-Como tu sempre fez.
-Eu? Tá doida?
-Quando tu era pequena eu mandava tu fazer isso antes de ir pra escola e tu sempre fazia.
-Como é que tu sabia que eu fazia? Comprou uma bola de cristal e nunca me mostrou?
-Eu sabia porque sou tua mãe. E mãe sabe tudo.
-Tudo?
-Tudinho, tudinho.

Quietas.

-Manhê...
-Eu decidi pelo caminho mais difícil. Quer dizer, eu tô pensando eu decidir pelo caminho mais difícil. Mas eu não quero que ninguém sofra com isso, entende?
-Entendo.

Quietas outra vez.

-Filha...
-Quê?
-Não existe caminho difícil. Existe o nosso caminho.

Quietas e felizes.

-Em eu tô aqui, tá?

Bjus da Bia

João, Adriana e o meu sonho

Adriana Falcão era minha escritora preferida. Continua sendo, mas agora eu sei o que conversar com ela sobre coisas que não sejam livros e afins. Ela é casada com o João Falcão. E ontem os dois, fazendo uma junção com Jorge Furtado e Guel Arraes, me fizeram chorar. Muito. E pensar outro tanto sobre replantar uma semente que eu esqueci num quintal qualquer.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Sinta


Adoro pregar uma peça nos meus amigos usando o filme O império dos sentidos, de Nagisa Oshima. Eu recomendo o filme e aviso: é erótico, hein?! E lá se vão os taradinhos de plantão catar uma cópia da produção japonesa que chocou meio mundo. Dias depois, as frases que eu mais escuto contém as palavras bah!, porra! que final horrível! e até caras de espanto acompanhadas de um "fiquei com medo".
O império dos sentidos foi clássificado como erótico por causa de suas cenas de sexo reais e, em sua maioria, bizarras. Um casal, formado por uma prostituta e o proprietário de uma pequena fazenda, inicia uma série de encontros onde o objetivo principal e atingir o ápice do prazer sexual. Pra isso, vale tudo. Tudo mesmo. De brinquedinhos improvisados a jogos perversos.
Com todos esses ingredientes quentes e bem temperados, por que o filme ocupa a prateleira das locadoras bem longe dos "educativos"? Primeiro: seu diretor é um dos mais consagrados do cinema japonês e já trabalhou com David Bowie no ótimo Furyo - Em nome da honra. Segundo: não é sacanagem por sacanagem. Nada de rostinhos sacanas e diálogos calientes. O sexo em O império dos sentidos é simbólico. Cada olhar e carícia trocado pelos amantes tem uma razão, esconde um desespero. Há quem compare o filme de Oshima à O último tango em Paris, de Bertolucci. Pode ser, pois ambos tem como protagonistas amantes com vidas conturbadas que buscam no sexo uma maneira de esquecer o que os cerca. Mas enquanto o diretor italiano cria uma atmosfera pop tipicamente francesa, o japonês prefere ser mais cruel, e conduzir o espectador numa louca dança onde desejo e obsessão andam agarradas.
Fica o recado pra quem ficou curioso por esse império: esteja preparado. Mil sensações vão tomar conta de você durante uma hora e meia. Cinema tem dessas coisas. Só não vale não se render.

Bjus da Bia

Não, obrigada!


Quem nunca broxou na vida levanta a mão(eu disse a mão, viu?)? Não tô falando só no sentido sexual da coisa, mas da vida mesmo. Tem situações onde o nervosismo, e até mesmo o desejo, fazem a gente querer se escafeder antes mesmo da coisa começar. Isso acontece mais no mundo feminino do que no masculino, pode ter certeza. Vou explicar!
Homens não são preparados para broxar e ouvir nãos e sim pra arrasar, seja na cama ou na maratona de São Silvestre. Homem não pode ter medo de dar nem de levar porrada, não pode dizer não pra cerveja, não pode conversar com uma mulher sem cantar e lá se vai a lista. Justamente por isso que eles não dão um pio quando levam um fora. Ou por acaso você já viu alguma cena como essa aí ó:

-Nem te conto, cara. Tomei um fora da Natália.
-Capaz, cara. Mas como? Ela parecia tão afim de ti...
-Pois eu, eu não sei o que aconteceu. Não sei se eu fui atirado demais ou falei algo que não devia. Será que eu devo convidar ela pra sair denovo?

Enquanto nós, mulheres, corremos para chorar as mágoas de um fora no ombro da amiga, eles se fecham e copas e vão jogar pôquer e beber chopp. Ficam com aquilo guardado, remoendo. Receberam um não, do tamanho do mundo. Tiveram um beijo negado e não entendem o porquê. Não, guris, vocês não são menos homens por isso. Se o beijo foi negado, das duas uma: ou a moça não queria te beijar ou queria mas não naquela hora. Beijo tem hora, meus caros. Nunca é a mesma. Quem dita é o relógio do desejo, que precisa se acertar com o do outro.
Eu acho que se os homens encarassem os não como nós, o mundo seria mais fácil. Às vezes, um não de início é o tempero para um sim nada sonoro no final. Um não, pra nós, é um não de boca aberta, com todas as sílabas bem executadas. Já um sim é possivel dizer com o corpo inteiro.
Taí, a cura das broxadas da vida. Não é pra ir se atracando no prato de mingau quente. Vai sair queimado ou derramar tudo no chão da cozinha. E vai ter que limpar depois, não esqueça! O melhor é fazer como se faz num restaurante chique: observar a foto do prato no cardápio, sentir o aroma da mesa ao lado e pesquisar pra ver se você terá condições de pagar. Se sim, peça com gentileza e um certo charme. Se não, discretamente, se retire. Se você for um cara bacana, vai achar um jeito de conseguir o que quer numa próxima oportunidade. Agora, se seu negócio é completar álbum de figurinha, há sempre um prato feito barato por aí.

Bjus da Bia

Cortez e o violão

Segunda-feira é sagrado: CQC na telinha e chocolate. Sou fã de toda aquela turma mesmo antes deles serem "os CQC's". Sempre curti os vídeos do Danilo e do Rafinha; já tinha dado boas gargalhadas com o Oscar e o Luque também por culpa da internet; o Andreoli eu lembro do tempo da TV Cultura e o Tas não preciso nem dizer, me acompanha desde que eu ia na creche e idolatrava o Professor Tibúrcio. O único que era estanho pra mim era o Rafa Cortez. Descobri o guri no programa da mosquinha mesmo. Só que neste semana, eu descobri um outro Rafa. Catando vídeos no You Tube, achei a pérola abaixo. Tô de queixo caído até agora. Pra quem gosta de música boa, é pra apertar na tecla repeat uma centena de vezes. Parabéns, Rafa. Não bastasse a inteligência, ainda tem o talento.

Bjus da Bia, perdida na melodia


quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Você vai sentir medo


O terror é um dos meus gêneros preferidos, quem me conhece sabe. E como apreciadora antiga dos sustos na tela, sou o cúumulo da chatice na hora de escolher um filme. Dos últimos lançamentos, praticamente nenhum me animou. São sempre os mesmos clichês e todos carregam um defeito típico do terror jovem: levar-se a sério demais. Tá bom, cinema é coisa séria, mas o tash está aí para provar que nem sempre é preciso pegar pesado para conseguir bons resultados. Um belo exemplar desse feito está na lista dos meus preferidos a quase uma década.
Expresso do horror, de Gene Martin, pseudônimo do espanhol Eugenio Martín ,é uma produção hispano/inglesa sobre uma expedição a Manchúria. Um trem cheio de gente feliz que vê sua paz ameaçada quando um fóssil amaldiçoado ganha vida e passa a matar os passageiros. No elenco, Christopher Lee (Drácula querido!)e Telly Savalas. A trama é boa, os diálogos são espertos e os efeitos especiais são de quinta. Isso mesmo que você leu, de quinta! Para essa geração que nasceu vendo Matrix chega a ser uma piada ver uma espécie de macaco (lembra muito Harry, o protagonista de Um hóspede do barulho) de olhos vermelhos mortais vagando em busca de sua próxima vítima. Conheci o filme nas madrugadas da década de 90, época em que ele foi reprisado algumas centenas de vezes na tv aberta. Nunca passou nos cinemas brasileiros, mas tenho certeza que está na memória de muita gente.
Mas qual o charme sedutor de Expresso do Horror? Simples, é um filme que conta sua história sem se preocupar em ser sério, transformador. É um filme de terror, simples assim. Tem momentos em que podemos sentir os atores se divertindo, tal é o grau de desprendimento com a "arte cinematográfica". Não estamos fazendo uma obra-prima, eles parecem dizer. É apenas um filme.
Confesso que hoje quase choro de rir assistindo ao filme, mas no início sentia um medo danado. Também pudera, minha primeira sessão de Expresso do horror foi aos 7 anos, escondida da mamãe, que criança tinha que dormir cedo no meu tempo. Mas e quem disse que eu dormia? A curiosidade era tamanha que eu aguentava o sono pra ir pra escola no dia seguinte e recuperava na primeira aula de matemática. Um exemplo de menina!
Piadas á parte, sinto saudades desse horror desprentensioso sem deixar de lado uma boa trama. Hoje em dia ou você ganha o rótulo de cult (eca!) ou então resolve avacalhar com tudo como os Todo mundo em pânico da vida. É, os tempos mudam...Mas eu ainda assusto muita gente com um convite pra assistir Expresso do horror. Quem aceitou gostou. E riu por último.
Bjus da Bia

terça-feira, 19 de outubro de 2010

As calças de Katharine


Katharine Hepburn marcou época não só pelo seu talento como atriz, mas também por seu estilo único e seu modo "tô nem aí" de levar a vida. Não vou focar no este posto no caso que ela teve durante anos com o Spencer Tracy, que era casado, mais velho e mil vezes mais conservador que ela. Isso toda a população cinéfila mundial sabe de trás pra frente, com detalhes que beiram a lenda. O que eu quero mesmo é falar das calças de Katharine.

Miss Hepburn foi uma das primeiras mulheres a assumir um jeito andrógino de se vestir num tempo em que a moda erra carrasca e nos tornava tão femininas ao ponto de causar náuseas, tantos eram os laçarotes de cores delicadas. No armário de Katharine não faltavam calças de alfaiataria muito bem cortadas, sapatos tipo Oxford e chapéus Fedora. Todo esse look pra curtir um drink regado a gargalhadas e algum romance tórrido entre uma briga e outra com Tracy. Por essas e por outras que ela está na lista de inspirações de praticamente todas as starlets atuais que buscam se destacar na selva que é Hollywood. Porém, existe uma linha tênue que separa o jeitão Hepburn do desleixo. Katharine podia até fumar um cigarro atrás do outro e aprontar das suas, mas fazia tudo com classe, como toda boa moleca. Brincava de menino levado sem perder a pose de rainha, intensificada por seus traços fortes.
Katharine Hepburn e suas calças bem cortadas me fazem pensar sobre uma das melhores coisas de ser mulher - a liberdade de deixar as frescuras femininas de lado. Quando os pés não suportarem mais o salto e o vestido for apertado demais, somos livres pra pôr o pé no chão e ser um pouco guri, estirado no sofá vendo futebol ou o que melhro se convir.
Amo minhas feminices, mas não me culpo na hora de dar folga para elas e sei que são poucos os homens que tem tempo (e coragem!) de se dar ao luxo de adaptar esse hábito. Homens precisam ser homens até nos momentos de fraqueza. Talvez um dia isso mude. Até lá, vamos correndo atrás com as confortáveis calças que Katharine nos ensinou a usar.

Bjus da Bia

domingo, 17 de outubro de 2010

Domingo


Odeio domingo. Talvez eu diga isso porque me criei em cidade pequena, onde domingo o maior evento quase sempre é a missa ou o risotãoi no salão da igreja. Como minha família não é católica, nem missa rolava. E risoto é comIlança, não diversão. Com esse eito de opções, meu passatempo preferido de domingo era olhar em volta. Isso mesmo, olhar em volta. Era assim que nasce a página de segunda-feira da minha agenda.

Preciso de estantes novas. Grandes, se possível. Gosto de ter meu livros e DVDs à vista. Gosto que estejam na ordem certa, quanto a isso sou nerótica. O pôster do A fraternidade é vermelha vai cair daqui a pouco. Preciso de mais fita adesiva. E da boa, pra não levar susto de madrugada com a queda dos cartazes. Horário de verão me diz que vou ter que adaptar meu corpo pra acordar uma hora antes pra aula de ioga. Isso se eu não acordar com mais vontade de escrever do que de "iogar". Sinto saudades do meu professor de pilates e seus papos bacanas. Minhas coxas também sentem falata dele, pois já estão caindo. Senhor, a idade!
Eu preciso entrar menos no Twitter e ouvir menos música. Não vou conseguir nenhum dos dois, mas não custa lembrar que eles tomam meu tempo mais do que deveriam. Nunca gostei tanto do meu armário. Hoje sei que o que tem lá dentro são as roupas que eu realmente gosto e uso e nunca exercitei tanto o desapego e as reformas. Viva as minhas camisetas e vestidos. Cansei de pensar mil vezes pra me vestir. Hoje só penso duas.
Preciso comprar mais leite condensado e coca-cola. Minha dieta exige que eu volte a tomar uma lata de cada um por dia. Vou ser mais feliz. E vou ter que correr mais.

Bjus da Bia

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Aos mestres, com carinho

Ser professor é barra pesada. Fico sempre apavorada quando vejo a quantidade de gente fazendo mestrado e gritando por aí que quer dar aula. Eu sempre tive medo. Educar alguém é complicado, demorado e muito, muito delicado. E olha que todos somos um pouco educadores: ensinamos os filhos, os amigos, os colegas de trabalho, isso num ato quase involuntário. Quando não estamos afim de ensinar, é só ficar quieto. Mas e quando ensinar é profissão? Acordar toda a manhã sabendo que irá se deparar com um bando de crianças ou adolescentes inquietos e com suas particularidades, não deve ser nada fácil. Quem faz isso mais por amor do que por comodismo merece vivas todos os dias e não só neste dia 15.

Tenho lembrança de poucos professores dos tempos de escola. Tenho um carinho especial pela Viviane, pois conversávamos e eu aprendia mais com ela fora do que dentro da sala de aula. Ela era doida pelo Chico Buarque e acreditava que literatura era algo mágico. Eu também penso assim. Deve ser por isso que lembro dela tão bem.

Bom, mas como o primeiro Professor a gente nunca esquece, lá vai: Tibúrcio, te amooooooo! Roubei das @TasManíacas o vídeo aí de baixo. Lindo, lindo, lindo! Divirtam-se!
Até logo, classe! Bjus da Bia

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Desculpe, já gostei de você


Faço de um tudo pra esse blog não ter muitas queixas ao estilo o mundo me odeia, pois acho uma chatice entrar num blog e só ver gente chorando as pitangas. Mas hoje eu vou presentear vocês com uma história que serve pra tudo, inclusive pra fazer quem tá do outro lado da tela choras as pitamgas, as bergamotas, enfim, a feira inteira, se quiser.
Tava lendo na revista ALFA ( que é masculina mas é leitura obrigatória pra toda mulher que se preza) um texto sobre onde o crítico de rock Lenny Kaye expõe seus motivos de arrependimento por ter falado mal do álbum Exile on Main Street dos Rolling Stones. Taí um bom exemplo de humildade e profissionalismo: admitir que errou e explicar com bons argumentos o porque de estar arrependido. Agora Kenny sabe da importância do disco para a história dos Stones e do próprio rock. Mas imagino o que ele deve ter sofrido na época em que seu texto saiu na Revista Rolling Stones e os fãs da banda não economizaram nos palavrões. Sei bem porque na minha vida aconteceu uma coisa assim, só que ao contrário e envolvendo assuntos do coração.

Deixa eu explicar essa bagunça. Quando eu tinha 16 anos, me apaixonei por um cara que para príncipe encantado não servia nem de dublê. Não era bonito, mas tinha o seu charme. Na época, eu achava que ele tinha o maior charme do mundo. Foi daquelas paixonites avassaladoras, do tipo que, depois de meia dúzia de palavras trocadas, a gente já ganhar um brilho nos olhos. Na época, eu ainda acreditava nesse tipo de coisa. Hoje sem bem que isso não passa e armadilha e que amor à primeira vista é coisa que só fica legal no cinema e por uma questão de fotografia, não de roteiro.
É óbvio que não fui correspondida, era uma relação impossível na época. Eu era vista como uma espécie de irmã mais nova ou, no máximo, a amiga tagarela da amiga bonitona dele. E mesmo assim eu continuei sonhando, deixando escapar besteiras românticas e fazendo de tudo pra agradar. Talvez tenha sido a fase de maior burrice da minha vida. Graças aos céus e aos mesu neurônios, que trouxeram o óleo de peroba, eu fui vendo que aquele homem charmoso era um belo cara de pau canastrão. A cada descoberta, e eu sou empenhada quando me baixa o Sherlock Holmes, ia percebendo que todos aqueles trejeitos e aquelas conversas não passavam de um personagem barato e muito mal construído.
Daí vem a culpa. COMO EU PUDE SER TÃO CEGA? COMO EU PUDE GOSTAR DE UM BABACA QUE ESQUECEU DE CRESCER? Burra,burra, mil vezes burra. A gente se chicoteia, despeja o milho no canto da sala e pensa em se ajoelhar e cima, compra até um vidro de maracujina pra tentar se acalmar. No fim das contas, cai na gargalhada sozinha e acrescenta mais uma lembrança bizarra pra contar pros netos.
Onde anda o imbecil que me fez perder noites em claro? Sei lá, nunca mais nos encontramos. Mas, segundo dizem as más línguas femininas, ele continua o mesmo e agora vem com brinde: uma barriga bem avantajada.
Tem horas que eu penso em contar pra ele essa história, mas me falta tempo. E tem mais, eu não declarei meu amor por ele nas páginas da Rolling Stones. Logo, desculpa eu tenho é que pedir pra mim mesma. Que venham os homens certos! Ou, os que pelo menos rendam momentos divertidos.

Bjus da Bia

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Que país é esse? É o nosso, porra!

Danilo Gentili é um gênio. Não ganhei um tostão por essa frase e nem precisaria. O show Politicamente Incorreto fala por si. Assista sem moderação e veja que coisa linda é o nosso país e os nossos amados políticos.
P.S. Aqui tá só a primeira parte, mas é só correr no You Tube quem tem tudo. Eu tive a oportunidade de acompanhar ao vivo pelo UOL e mesmo assim quero repeteco.

Cachorreira



Eu tive um papagaio quando era pequena. Ele morreu e só me contaram um mês depois. Mentiram que ele tinha fugido. Eu quase tive um treco, imaginando que eu era a culpada pela fuga por causa dos constantes "Cala a boca, Rico" que dizia pra ele. Mesmo amando minha ave querida, meu forte sempre foram cachorros. Amooooooo cachorro. Dizem que gato é charmoso, mas eu acho que nada mais é do que um bicho fresco demais pro meu gosto. Cachorro é que é massa, divertido e com personalidade. Como hoje é dia de São Francisco que, dizem, é quem protege essa bicharada toda, resolvi apresentar pra vocês as duas criaturinhas que tornam os meus dias mais felizes:Dona Flor, minha terapeuta com 13 anos de experiência e Haru, meu samurai vira-lata. Ah, e também matar a saudade de um dos programas que me fizeram um das crianças mais felizes do mundo: TV Colosso.

Bjus Caninos da Bia

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Sem ponto final


Cinema pra mim é como salgadinho: é impossível "devorar" um só. Sou daquelas que, quando o tempo permite, sai de uma sessão já de olho na fila da próxima, com uma rápida pausa para um respirada e algumas divagações. Porém, o poder da sétima arte tem suas doses pesadas e alguns filmes não nos deixam em paz por dias e saímos da sala escura desejando apenas voltar pra casa. Flores partidas é um deles.

Dirigido pelo talentoso e sensível Jim Jarmush(o mesmo que liberou os incríveis Iggy Pop e Tow Waits pra um papo bacana em Sobre Café e Cigarros,)o filme levou o grande prêmio do Festival de Cannes em 2005. Mais que merecido, aliás. Flores partidas narra a história de Don, vivido por Bill Murray ( olha o querido dando as caras por aqui outra vez!), um conquistados convicto que, por livre e espontânea pressão do melhor amigo,um engraçadíssimo Jeffrey Wright, resolve procurar por seu suposto filho após receber uma misteriosa carta anônima de uma ex-namorada. Como sua lista de mulheres é gigante, o jeito é pegar a estrada com paciência. E é isso que Don faz, sempre com aquela cara de "por que estou fazendo isso?"
A jornada do protagonista tem humor, sacadas inteligentes, algumas lágrimas femininas e lembranças aos quilos. A cada fracasso, o espectador se depara com um pedaço do passado de Don, que parece tornar-se mais solitário a cada cena. Afinal, ele não encontra respostas.
Agora vou fazer algo muito feio, atitude que me faria apanhar de todos os meus amigos críticos de cinema: vou dar uma prévia do final. Aviso aqui para, caso você seja como eu e não curta um estraga-prazeres, pare de ler por aqui, corra até a locadora e assista Flores Partidas antes de seguir para o próximo parágrafo.

Don não encontra seu filho nem descobre quem lhe escreveu a carta reveladora. Acaba tão sozinha quanto no início. Flores Partidas é um filme sem final, onde o público acotumado aos happy end coloridos fica com aquela cara de "ham, é assim que termina?". Confesso que no início da minha vida cinéfila esses finais me davam nos nervos. Hoje, talvez pela tonelada de filmes no currículo ou pelo peso da idade, gosto de tramas assim. É um chacoalhão nos momentos em que bate a tentação de ficar se lamentando. Esses filmes não tem final porque nem tudo na vida tem final. Por mais que a gente insista em querer encerrar ciclos para ir em busca de novos caminhos, algumas situações insistem em ficar em aberto, num eterno ponto de interrogação. Seguimos em frente, mas algumas perguntas continuam no ar.
Já coloquei muitos pontos finais na minha vida. Fechei a porta e eles se foram. Me deram respostas e eu aceitei. Tenho algumas interrogações ainda que o sexto sentido me diz vão me acompanhar por um bom tempo. Mas nem por isso precisam andar penduradas no meu pescoço! Prefiro guard-alas na gaveta. Pois um ponto de interrogação pode ser só o começo de uma boa história.

Bjus da Bia

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O perfume

Um vez ouvi a elegantérrima Costanza Pascolato dizendo que toda mulher deve ter escolher um perfume para chamar de seu e usá-lo durante toda vida. Costanza é um exemplo e seguir suas dicas é algo que aprendi com a minha avó. Mas nesse ponto nunca consegui concordar com ela. Quando o assunto é perfume, não consigo ser nem um pouco fiel. Gosto de ter sempre uns 3 no armário e, de acordo com meu humor, borrifo as gotinhas que me convém. Minha última aquisição foi Amó Chamego. Não tô ganhando nenhuma grana da Natura, mas confesso aqui que comprei o perfume por causa do comercial. Um propaganda que mostra casais vivendo as pequenas alegrias de uma relação. O meu encanto pelo perfume aumento muito antes de eu sentir o aroma contido no frasco. A embalagem trazia os seguintes dizeres:

Chamego vem de chama. É sentimento de desassossego, que desequilibra, tira do chão. É um carinho cheio de intenções e vontades, para fazer a dois.
Não sei se isso tá num dicionário, mas é um perfeita definição. Explicar o que é um chamego não deve ser fácil, já que quando a gente ganha um não consegue pensar em muita coisa a não ser na sensação desse momento único.
Já tive minha fase de sonhar com um amor arrebatador, desses cheios de rituais, diálogos abarrotados de adjetivos e clima de castelo encantado. Hoje eu entendo que o que faz o coração disparar mesmo são as coisas pequenas, aquela bobagenzinha que ele(a) faz e que provoca sorrisos pelo resto do dia. É o poderoso olho no olho, talvez o feitiço mais perfeito que já inventaram.
Talvez toda essa minha emoção por causa de um simples perfume seja fruto da minha solteirice que já dura quase 4 anos (Jesus, defende!). Mas não tô tão desesperada =, não. Cheirar a chamego já me faz feliz :)

Bjus da Bia

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Faces


O ator Lon Chaney entrou pra história do cinema com o título de O homem das mil faces. Apelido merecido para o protagonista de uma das primeiras versãos de O Fantasma da Ópera para a tela grande, lá em 1922. Assistir esse filme, disponível em DVD no Brasil, é uma experiência divertida. Chaney conseguia meter medo sem precisar de gritos e toda aquela barulheira que tomou conta do cinema de terror com a chegada do som. Não que eu não goste do "gritedo", mas ver um ator se valer apenas de uma maquiagem precária e feições retorcidas para compor um personagem é algo incrível. O cinema mudo prezava os olhares, os olhos trêmulos e os sustos que só um gesto pode revelar. Hoje, é preciso mais que uma boa expressão facial pra vencer (e convencer!) nas telas. Voz, canções, sutilezas também tem o seu poder. Mas eu ainda me choco com certas faces e seus poderes.

Cresci vendo faroestes e filmes de guerra. Até hoje eles são meu passatempo preferido quando o programa do dia é uma ida ao cinema ou um DVD no sofá. É claro que também tenho meu lado feminino-chorona-romântica que, em certos momentos da vida, se deixa levar por um romance cheio de beijos e encontros. E desencontros felizes também. Mas é exceção. Meu cotidiano cinéfilo tem tiros e suspense, algumas lágrimas, muitos diálogos e silêncios com significado. E rostos que me prendem a atenção até a chegada dos créditos finais. Feições que não me canso de admirar.
Henry Fonda foi o primeiro. Aos 10 anos eu desenvolvi um amor platônico por aqueles olhos azuis depois de assistir 12 homens e uma sentença pela primeira vez. Mas esse filme não era em preto e branco? Era, mas aquels olhos eu enchergava em profundo azul. Ai, ai...
Charles Bronson veio depois. Uma mistura de índio com tira malvado, protagonista de quase todos os filmes policiais que vi na vida. Virou sinônimo de tiroteio dos bons e assaltos a trens de carga. Uma cara que não precisava de mais nada para convencer o espectador. Talvez só uma Magnum 44 carregada.
Bil Murray. Esse é paixão antiga, iniciada nas várias fugas da escola para assistir Os Caça-Fantasmas na Sessão da Tarde. Gosto daquele jeitão distraído. Mas o ápice do meu olhar bobo para Murray se deu em Encontros e Desencontros da poderosa Sofia Coppolla. Uma invejinha boa da bela Scarlett Johansson tomou conta de mim. Dividir os segredos e a solidão com Bill Murray. Taí um sonho constante na minha cabecinha.
Alista é grande, ocuparia uns 10 postas e deixaria muita gente chateada porque faltou fulano e beltrana. O que importa mesmo é que cinema é a arte da imagem, um campo de batalha, como diria Samuel Fuller. Um jogo de sedução entre espectador e personagem. Só não vale fugir da raia com medo de se entregar demais. Caso este seja o seu caso, na proxima sessão, encare de frente.

Bjus da Bia

Ousadia


Era cruel o que fazia consigo própria: aproveitar que estava em carne viva para se conhecer melhor, já que a ferida estava aberta.
(Clarice Lispector, no livro Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres)

Sempre tive dificuldades na escola, mesmo nas matérias que gostava como português e literatura. Levava tempo para aprender quem era do Romantismo e quais eram os temas mais comuns da poesia barroca. Estava mais interessada no que aquelas benditas linhas e versos iam me tocar. Era uma boa aluna até, mas sempre na contramão. Eu nunca estava lendo os livros que as professoras mandava porque eu já tinha lido antes ou estava no aguarda para ler depois que a maré baixasse. Escolhia os livros na biblioteca (que era de longe o meu canto preferido, só perdendo pro buraco na cerca usado nas fugas na hora do recreio) pelo impacto que me causava e não pelo prêmio Pulitzer informado na contracapa. E assim eu sou nas outras coisas também.
Não pensem que é fácil ou que sou assim pra bancar a do contra. Eu nasci assim, rebeldia tá no sangue, não é frescura de juventude. Eu fui uma criança que brincava com coisa séria, falava demais, assistia tv e quando não entendia perguntava até entender e quando não entendia gastava neurônio tentando entender. Hehe. Olhando assim parece maluquice, mas é realidade. Só consigo dizer isso hoje porque me entendi um pouco mais. Tái uma matéria muito mais difícil: se conhecer. Talvez a gente passe o resto da vida tentando passar. Mas não custa nada repetir de ano em alguns aspectos.

Toda essa balela pra tentar explicar pros bobinhos dos meus amigos porque eu tatuei Ousadia no pulso. Elementar, meu caro Watson: Ousar é o verbo que me rege.

Bjus ousados da Bia

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Tentar

Parece que a vida gosta de me dar uns sustos de vez em quando. E não é sustinho não, é daqueles de fazer a gente perder o ar. Ultimamente eles tem vindo de corredores de hospital e jantares em famílias. No começo, eu achava que era birra do mundo comigo, aquela idiotice de adolescente de pensar que o MUNDO INTEIRO tá interessado no que ele faz ou deixa de fazer. Agora eu entendo bem melhor. A vida me dá sustos pra me acordar.
De uns dois anos pra cá, os sustos que tenho tomado sempre deixam marcas. Podem ser coisas simples como não esquecer o aniversário de alguém ou cuidar da alimentação. Ou então coisas maiores, como não calar cada vez que sinto vontade de dizer eu te amo pro meu pai ou abrir mão de uma coisa que muitos dão como certa em nome da minha intuição. Se já me ferrei por isso? Mais de mil vezes. E vou me ferrar outras tanta. A diferença é que agora eu espero esses erros sem sofrer. Finalmente entendi o diálogo que minha mãe repete desde que eu me entendo por gente:

-Que merda, não deu certo.
-Calma. Na próxima vai dar.
-Vai dar nada, manhê. Mixou, acabou.
-A vida é tentativa e erro, Bianca.
-Não me chama de Bianca. Tu só me chama assim quando eu faço bobagem.
-Dessa vez tu não fez bobagem. Mas falou.
-Falei o que?
-Que não vai dar certo.
-Mas não vai, manhê! Nem sei se eu vou ter outra chance.
-Sempre há outra chance. Se ela não aparece, a gente corre atrás dela. A vida é tentativa e erro, tô avisando...

Tentativa e erro. Tentativa e erro. Foi assim quando eu aprendi a tomar banho sozinha e vai ser assim quando meus filhos nascerem. Eu vou repetir o diálogo e eles vão me achar uma chata. Depois, vão ver que estou certa. Vão tentar. E errar. Quando o sonho estiver realizado, a felicidade vai ser tanta que nem vão lembrar.

Bjus da Bia, na tentativa

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Azul


Quantos gritos eu já dei num estádio? Não faço idéia e nem me presto a contar. O que importa mesmo é a intensidade e o motivo do grito: desespero, tristeza, raiva, alegria. Isso quando não é tudo isso ao mesmo tempo. Gritos de guerra e susurros de guerra. Porque tem horas que a gente acredita que o cara lá no campo tá escutando a nossa oração. E vai saber se não está?

E como diz minha vó, Dona Branca, a gremista mais apaixonada que eu conheço, não se pode abandonar um amor assim, no primeiro tropeço. Aplaudiremos o Grêmio aonde o Grêmio estiver. Amém.

Bjus da Bia

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Vendada

De olhos fechados
não consigo.
A mesma curiosidade que matou o gato
me persegue com gosto
Quase me mata de susto
quando surge do nada
no meio da sala
estirada no tapete
sorrindo com significado.


Não resisto e busco o segredo na gaveta.

Vendada não vejo nada.
Vendada eu sinto tudo.

By Bianca Zasso

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A camiseta


Visualiza a cena. Um cara e uma garota. Amigos, nada mais. Daí chega outro cara, que é a amigo do amigo e dela, por enquanto, não é nada. Apresentações, olá, como vai, essas coisas. E a música entra na jogada.
- Que tu escuta ultimamente?
-Ah, tenho minhas fases, mas o primeiro álbum do Tom Waits tá direto meu Ipod.
-Tom Waits? Sei...E de música brasileira?
-Nação Zumbi...e o Chiquinho, claro.
-Chiquinho?
-É como eu e uma amiga chamamos o Chico. A gente disputa pra ver quem vai casar com ele. Brincadeira.
-Hehe. Eu gosto de muita coisa, mas se tem algo que eu odeio é punk. Aquela banda, The Clash, é muito porqueira.

Ela fica pasma. Pensa num palavrão, numa frase cortante pra encerrar por ali a coisa toda. Mas resolve apenas abrir o casaco...e mostrar o presente que ganhou do pai no último aniversário: uma camiseta. Simples.

Bjus da Bia

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Pra quando teu mundo desabar


Sabe quando tu acha um papel velho, amassado no fundo de uma caixinha? Pois é, eu achei. Um recadinho da minha mãe, datado do dia 16/03/2002, meu aniversário de 15 anos. Como rasgou, eu decidi escrever aqui. Pra nunca esquecer. O recado é antigo, mas agora cai como uma luva. Algumas coisas desabaram, mas eu já levantei. E, qualquer coisa, já tô com a pá e o cimento!

"BiancaD'Zasso!!
Feliz aniversário, filha! É bem do teu feitio não querer festa e essas besteiras. Estranhei no começo. Tem horas que esqueço que criei uma rebelde. Sabes que o presente vem depois, por enquanto essa cartinha é pra te desejar muita saúde, sonhos e coragem. Muita coragem, filha. Porque sem ela a gente não consegue nada. E tu é uma guerreira, minha pequeninha guerreira. Já aguentou muito tranco junto com a gente e só tem 15 anos. Aproveita cada minuto da tua juventude, Bia. A mãe sabe do que tá falando. Mas tu só vai te dar conta disso quando não for mais tão jovem.
Caso um dia a coisa fiquei feia, não deixa desabar. Se cair um pouquinho, junta os caquinhos e constrói outra coisa.

Te amo.

Mãe"

Pra quando meu mundo desabar eu tenho isso. Um bilhetinho. Mais forte que qualquer Fluoxetina.

Bjus da Bia

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A paixão e o escândalo


Odeio que me chamem de escandalosa. Já mereci o título, confesso, mas há tempos que estou mudada...Desculpe, acho que exagerei; não faz tanto tempo assim, mas o importante é que eu percebi a mudança. Ela me fez um bem danado. Hoje posso me orgulhar de ser tranquila sem ser tapada e passional sem precisar de escândalo. Essa última talvez seja minha condição favorita. Vamos lá com uma historinha!

Houve um tempo em que eu não entendia quem passava pela vida sem gritos. Sempre falei alto e me odeio por isso. Mas, como já disse, tenho mudado. Ser "goeluda" é mal de família, o pior gene que eu podia ter herdado. Ah, se a gente pudesse escolher o sangue que corre em nossas veias! Bom, mas no tempo que eu me lixava para essa característica do meu ser, ficava de queixo caído com quem não chorava em velório, em filme triste e até em final de seriado. Pra mim, meia dúzia de lágrimas não satisfazia, tinha que ser daqueles espetáculos dignos de serem patrocinados por marca de lenços de papel. Chorar, soluçar, sofrer: meus verbos preferidos nos tempos de escândalo.

Hoje, prefiro a paixão.

Ué, mas a paixão não é esse desassossego todo, um sentimento louco que tira a gente do sério? Não. Pelo menos não no lado de fora. Aprendi que ser passional é algo íntimo, um sentimento tão forte que é bom que só a gente saiba que exista. E, é claro, demonstre-o em gestos sutis.
É bem provável que este texto tenha surgido movido pelo momento. Duas grandes amigas minhas estão grávidas e eu estou com o relógio biológico apitando na hora errada. Por mais que o corpo diga, não sei se estou pronta para ser mãe ou se algum dia vou estar, apesar do desejo existir e ser forte e eu já ter aprendido a trocar fralda e fazer mamadeira. Ah, e a falar baixinho. Shhhhhhh!

Bjus da Bia

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Soco na cara


Caso você assista pela primeira vez ao filme Réquiem para um sonho num dia gelado de inverno, vai o recado: não se admire se você suar. Ah, você pode sentir alguns arrepios também. Isso porque a película dirigida por Darren Aronofsky é um soco na cara.
Ao acompanhar a realidade de 4 pessoas diferentes mas que têm em comum a busca da realização de um desejo, Aronofsky cria imagens que tiram a gente de órbita. Fortes, alucinantes, quentes, rápidas. Não há conforto. E quem vai querer ver isso, muitos se perguntam. Vejam, meninos. É um mal necessário. Estamos acostumados a sofrer na sala de exibição, mas sabemos que no final, por mais que haja perdas e caminhos confusos, teremos paz. Mesmo que seja aquela paz sofrida, parecida com a que a gente sente quando toma um remédio pra dor forte. Aliás, há muitos remédios no filme. Das anfetaminas da mãe do protagonista (interpretada pela sensasional Ellen Burstyn)ao "bagulho de primeira" que enche os bolsos e as ideias de Jared Leto, Marlon Wayans e Jennifer Connelly, cada um em melhor forma do que o outro. Há uma realidade nos olhos dos atores que perturba. Eles nos avisam em cada cena que não há redenção e que a decisão que tomaram é problema deles. Só nos resta observar o que restou. Quatro pessoas encolhidas, talvez sabendo a idiotice que fizeram com suas vidas, ou apenas esperando pela próxima dose.
Repito: Réquiem para um sonho é um soco na cara. Forte, de deixar marca. Achei que nunca ia conseguir assistir mais de uma vez. Mas o desassossego existe pra ser sentido.



Bjus da Bia

quarta-feira, 1 de setembro de 2010


Eu sou o homem solitário de Deus
(Travis Bickle)

Que Taxi Driver, de Martin Scorsese, é um dos mais belos filmes sobre solidão, isso qualquer pessoa com o mínimo de sensibilidade sabe. Mas o que poucos admitem é que estar só nem sempre tem um gosto amargo. Mesmo que o mundo diga o contrário. é indústria do casamento, revistinhas que ensinam simpatias pra arranjar namorado, livros com táticas para fazer um relacionamento durar e lá se vai. E eu te pergunto, pra que tudo isso? Quem foi que disse que é impossível ser feliz sozinho? Tá, tá, foi o poetinha, mas quem foi que disse que ele estava certo?
Não, isso não é papo de moça encalhada revoltada com casais apaixonados que juntam os trapinhos. É apenas uma opinião. Gosto da solidão e não sinto medo quando ela toca a campanhia. Abro a porta e convido pra um café. Ela faz bem depois depois de uma discussão, na manhã de ressaca e pra devorar sem interrupções o livro de cabeceira. Foi na solidão que eu peguei gosto por escrever, pois solidão pede rabisco e quando menos se espera a idéia surge.
Solidão não precisa combinar com tristeza, deprê e outras palavrinhas chatas. E quer saber? A solidão é mais necessária ainda quando se está junto. Porque beijar e amar é bom e dividir sonhos é melhor ainda. Mas todo mundo deve ter um encontro marcado com si próprio de vez em quando. Voltamos a Taxi Driver. Imite DeNiro na frente do espelho e discuta o que for preciso. Ou fica quieto mesmo, que assim a gente escuta melhor as respostas que vem de dentro. Daí dá pra rir bem alto, chorar quem sabe, lembrar e esquecer. Afinal, não tem ninguém olhando mesmo.
Depois é só voltar pro calor da multidão completamente renovado(a). Mesmo que a sua multidão seja de uma pessoa só.

Bjus da Bia

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A bolsa e o lixo


Vi uma moça esses dias na rua com uma bolsa à lá Mary Poppins. Sabe aquele tecido que parece tapete? Pois é, era bem assim. Daí lembrei que preciso organizar a minha. Tem coisas lá dentro que nem eu sei como forma parar lá. Só de ingressos de cinema deve ter umas duas dúzias.
Entre as muitas funções que uma bolsa tem ( conhece alguma mulher que tem uma só? Duvido!) minha bolsa é lixeira, pois não consigo jogar lixo no chão. Quando a preguiça pensa em me pegar pelo braço antes que eu encontre um lugar adequado para a sujeira, eu lembro da minha vó e pimba, lá se vai tudo pra dentro da bolsa ou dos bolsos. Dona Branca vive com sua bolsa recheada de papeizinhos de bala 7 Belo (que ela come aos montes!)Ou seja, essa coisa de fazer da bolsa depósito de sujeira numa cidade como Santa Maria onde encontrar uma lixeira em bom estado é uma aventura digna de Indiana Jones é um hábito. Mas parece que nem todo mundo pensa assim.

Escuta essa.

Estava eu, leve e faceira, andando pela rua, quando vi um garotinho jogar uma lata de refrigerante no chão. Tá, ele não devia ter mais do que 5 anos e a gente até considera que está na fase de aprender o que é certo e errado. Mas o feio mesmo foi que a mãe dele pareceu amar a situação pois, minutos depois, amassou um folheto e pluft! jogou no chão. Que coisa bem linda! Dois porquinhos passeando no centro da cidade. Naquele momento, não teve como não lembrar das minhas amigas que insistem em dizer que a minha bolsa é um condomínio de bactérias de tanto papelzinho, bilhetinho, rabisquinho. Vou dizer uma vez só: a bolsa é minha, o "pobrema" é meu! Mas a cidade é nossa e tratá-la como eu trato a minha bolsa devia causar bactéria da braba.

Bjus da Bia, a rainha do lixão

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Chegou!!!

Há tempos queria fazer outro blog. Mas daí pensava: se eu não dou conta de encher de palavras um, quem dirá dois, né?! Mas imaginação não tem limite (amém!) e o que não falta é história na cabecinha maluca desta dona que vos escreve. Decidi fazer a faxina e colocar aqui nesse mundo virtual algo que me acompanha faz tempo: a Feia. Vem comigo que te explico. Assim, ó:
Quando eu tinha uns 16 anos ganhei mais um apelido: feia. Não preciso explicar porque, né? Enfim, esse apelido me incomodava, mas eu acabei acostumando e tirando até proveito da situação. Afinal, nunca levei desaforo pra casa e foi mamãe que ensinou isso.
Daí eu dei vida pra Feia. Dei nome, família, trabalho, problemas. Escrevia tudo nos cadernos da escola, chegava em casa e passava a limpo. Não sei porque me prestava a isso. Talvez pra guardar de recordação ou simplemente pra ter o que fazer e adiar o dever de física.
Semana passada eu achei os registros da Feia, dei uma lida, rabisquei aqui, cortei ali, atualizei acolá, deixei a moça nova no más! E vou mostrar pra vocês, se a loucura do tal de mundo real deixar. Espero que gostem. É ficção e não é. O que é o que eu não digo. Pensem o que quiserem. As feias (esta daqui e a que eu inventei) não se importam. :)

www.mariafeia.blogspot.com

Bjus da Bia

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Ela vem aí...

Esse posto não vai ter foto nem vídeo. Não, não é um poema. Aliás, tenho pensado muito sobre essa história de publicar poemas por aqui. Tenho lido meus versinhos e não encontrado graça nenhuma. Mas agora esquece, que é de outra coisa que eu quero prosear por aqui.
Ela vem aí. Tô criando um novo blog pra apresentar pra sociedade uma grande amiga. Há quase 10 anos ela está presente na minha vida, sempre cheia de idéias( com acento, e dane-se!)e com muitas coisas pra contar. Sempre tive incentivo para apresentá-la para o mundo, mas uma chata sem galochas chamada timidez nunca deixou. Agora mandei ela pastar e vamos ver no que dá. Assim que a viagem ( tô fora de casa, pessoal) acabar, dou uma faxinada na casa e passo o endereço pra vocês. Nã quero adiantar nada pra não criar expectativa nos poucos mas fiéis leitoras ( ou será que só o Pizarro ainda dá as caras por aqui:\
Mas uma coisa eu já aviso: ela é feia. E esperta no más.

Bjus da Bia

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sangue e romance


Eu sempre remei contra a maré e me meti onde não era chamada. Levei umas boas bofetadas por isso, mas também de diverti horrores. Um dos momentos onde isso acontecia com mais frequência era na escola. Por exemplo, eu fiz questão de ler todos os livros indicados na bibliografia do ensino médio antes de entrar no ensino médio. Nunca gostei que me mandassem ler algo, seja matéria em jornal ou romance. Eu escutava a dica, mas lia quando me dava na telha. O resultado: quando todo mundo rachava a cabeça tentando decifrart quais questões sobre Dom Casmurro iam cair no vestibular, eu já era amiga de infância da Capitu e do Bentinho.
Mas saindo um pouco da sala de aula, sempre rolam aqueles "livrinhos da vez", principalmente entre as meninas. Bem nessa época, eu estava devorando os dois primeiros livros da série Harry Potter, mas sempre dava uma espiada nas leituras das minhas amigas. Chegava a dar nojo! Todo mundo lendo O pequeno príncipe e Poliana, enquanto algumas quase babavam quando discutiam O mundo de Sofia. Já eu, entre uma e outra aventura do bruxinho inglês, me identificava com as dúvidas e amores de Elizabeth Bennet, a protagonista de Orgulho e Preconceito, da escritora Jane Austen. A moçoila pra frentex (aprendi essa com a minha vó) da literatura inglesa virou minha companheira das noites insones. Ia para aula morrendo de sono e rezando pro relógio correr e eu poder terminar mais um capítulo. Foi o meu livro durante muitos tempo. Ou melhor, ainda é meu romance preferido, talvez por ter sido o primeiro que fez meu coração bater forte. Pra mim, virou sinônimo de romantismo. Depois vieram Razão e Sensibilidade, Persuasão...mas tudo começou com Orgulho e Preconceito.
Ah, esqueci de dizer que não eram só os livros que me faziam companhia nessa época. Já tinha um tal de cinema na jogada. Não qualquer cinema, era Tobe Hooper, George A. Romero, Wes Craven. Zumbis e gritos por todos os lados. A descoberta do cinema de horror talvez seja a mais divertida da vida de cinéfilo. Bom, agora tem um tal de Seth Grahame-Smith. Não, ele não me conhece, nem eu conheço ele pessoalmente. Mas parece que ele resolveu unir as minhas duas paixões juvenis num livro só e lançou Orgulho e Preconceito e Zumbis, lançado aqui no Brasil pela editora Intrínseca. Nada mais é do que uma releitura do clássico de Austen com pitadas do gênero trash. Olhando por cima, parece um grande abacaxi. Ledo engano. Grahame-Smith conseguiu um equilíbrio único, se valendo do humor sutil de Austen para acrescentar elementos zumbis a trama. Ficou incrível e, espero, sirva de inspiração pra outros escritores. Bons escritores, é claro, pois adaptar um grande clássico é um desafio de dar frio da espinha. Lidar com boas histórias, admiradas por gerações de fãs ardorosos deve tirar o sono.
Mas Seth Grahame-Smith pode ficar calmo. Eu, apaixonada por Austen, ~posso garantir que ela não está se revirando no túmulo. Só se for de rir.


Bjus da Bia

domingo, 15 de agosto de 2010

Se afinar de tanto rir


Quando criança (será que já deixei de ser uma?) eu tinha vários apelidos. Bia era o mais comum deles, pois simplificava um nome italiano e nada sonoro que mamãe escolhei pra mim. Mas o que mais me incomodava quem me deu foram os colegas de escola: Mônica. Tudo porque eu era baixinha, golducha e dentuça. E era mesmo, qual o problema? Ser baixinha não era defeito, gordurinhas todo mundo tem. O que me dava nos nervos era o tal do dentuça.
Sim, sou dentuça. Tenho espelho em casa e sei disso. Mas porque ter os dentinhos avantajados é motivo de chacota? Na infância e na adolescência isso me incomodou muito, pois o que menos me importava era o tamanho dos meus dentes. Sempre tinha uma resposta na ponta da língua para os engraçadinhos de plantão que insistiam em ressaltar mais ainda esse pequeno detalhe da minha face. No fim das contas, tudo acabava em gargalhada. E é aí que eu quero chegar.
Gargalhar é uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida. Sabe aquele papo de perco o amigo mas não a piada? Levo à risca, porque sei que amigo que é amigo entende a piada e ri junto, sem guardar rancor. E eu tenho dois "amigos" em especial que sempre me fazem rir, e rir alto e com gosto: Peter Sellers e Jack Lemmon.
Conheci Peter Sellers numa daquelas gostosas sessões de filmes junto com meu vovô, que tem a gargalhada mais gostosa do mundo (ao lado da do Carlos Couto). A pantera cor-de-rosa, Um convidado bem trapalhão, Lolita do Kubrick...era risada atrás de risada. Aquela cara de panaca aliada ao jeito atrapalhado animaram muitas tardes do meu início de vida cinéfila. Ah, e renderam mais um apelido pra minha pessoa: Inspetor Closeau. Por quê? Sou estabanada desde o berço, quando derrubava a mamadeira no lençol recém-lavado.
E o Jack Lemmon? Bom, esse só de olhar dá vontade de rir. Quanto mais quente melhor é daqueles filmes-remédio: quando a coisa fica feia, bate aquela tristezinha, a gente coloca pra rodar e tudo muda. Uma piada mais inteligente que a outra, situações bizarras. E ainda tem Se meu apartamento falasse, outro clássico da dobradinha Lemmon/Billy Wilder.
Esses dois encabeçam uma lista de homens que me fazem rir que passa por tios (todo mundo tem um tio bom de piada) até humoristas da chamada nova geração. Todas essas lembranças, filmes e apelidos foram pra dizer que hoje eu não tenho mais aquela frescura de rir com a mão cobrindo a boca, cheia de vergonha do meu atributo dentuça. Dou gargalhadas bem faceira, sem medo. Faz um bem danado, tem que ver. A gente demora um pouco pra entender que ser dentuça ou bochechuda, tagarela ou desengonçada não é defeito, é a gente e pronto! Peça única e original? Ia ser a coisa mais chata do universo se todo mundo fosse lindo, divino e maravilhoso. Belezuras a parte, o pessoal podia se preocupar mais em ser feliz do que com o tamanho da bunda do vizinho. Ou não, dependendo da bunda e do vizinho.
Continuo baixinha, não sou mais gorducha mas nunca fui tão dentuça, muito obrigada. Enquanto os apelidos rolam, eu dou risada feliz da vida. Você, que apelida até carro abandonado, devia fazer o mesmo.

Bjus da Bia, e curtam com muito riso um dos finais mais engraçados do cinema!

sábado, 14 de agosto de 2010

A noite

Enquanto ela corre os olhos pelos livros da estante, ele atravessa a rua a passos largos. Enquanto ela finge interesse pelas frases do romance, ele beija sem pressa curvas muito diferentes das dela. Enquanto ela sussurra uma proposta, ele adormece em paz. Enquanto ela muda a estampa do vestido, ele cantarola feliz.

Quando os dois entram em casa, o espelho se quebra.

Ninguém vê nada. Enquanto ela se entrega, ele finge acreditar.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Aquela da ervilha


Papo no msn pegando. Minha amiga Juliano, que ano que vem se forma em pedagogia (ebaaaa!) está estudando as princesas criadas por Hans Christian Andersen. A conversa tava muito boa, cheia de novidades, mas eu me vi feia no retrato quando recebi uma perguntinha aparentemente simples da Ju.
- Bia, me diz qual é a tua princesa favorita? Todo mundo tem uma :)
- Vixi, essa me pegou!
Perguntar é meu maior vício, mas não ter respostas sempre me deixa sem graça. Respondi que era A Bela adormecida, por causa do filme da Disney. Mas era mentirinha, daquelas do bem que a gente se vê obrigado a contar. Quase perdi o sono naquela noite. Até que acabei esquecendo. Só que...bom, senta que lá vem a história!

Eu tava lá de bobeira, ouvindo Chico Buarque, comendo Twix e rabiscando uma bobagem qualquer. Como sempre, TV ligada , mal de família. Daí eu parei de mastigar e escrever pra olhar pra tela.
A TV Cultura (que tá passando por uma crise feia, pra desespero dos telespectadores)está reprisando a série Contos de Fada, produzida pela atriz americana Shelley Duvall, a eterna Olívia Palito do cinema. O programa, que é um sucesso na América, apresenta versões em estilo teatral das principais histórias infantis com um elenco sempre recheado de estrelas. Me deparei com Liza Minnelli (Cabaret!) interpretando a protagonista de A princesa e a ervilha. Fixei os olhos na telinha e só parei quando terminaram os créditos finais. Sabe aquelas imagens que trazem várias lembranças?
Lá estava eu pensando no primeiro livro que li na vida - uma versão (imagem acima) capa dura e bem ilustrada de A princesa e a ervilha, da coleção Pom Pom. Que fim ela levou não lembro, mas posso afirmar que chegou um tempo em que eu não precisava mais ler, apenas olhar as figuras que eu já lembrava de tudo. Me fascinava o estranho teste de sentir uma ervilha debaixo de vinte colchões e vinte lenções para provar a realeza de uma moça. Acho uma das tramas mais interessantes dos contos de fada. Não tem sapatinho de cristal nem beijo-despertador, mas tem um toque de mistério único. Seria aquela garota delicada uma princesa de verdade?

Precisei voltar aos tempos em que a minha babá era a TV para conseguir responder com certeza qual era a minha princesa favorita. Hoje falo sem pestanejar: eu gosto daquela da ervilha.

Bjus da Bia

sábado, 7 de agosto de 2010

Close-up

Sofro de uma paixão incurável pela madrugada. Já vi o sol nascer e se pôr várias vezes, é lindo demais, mas nada me seduz mais do que a madruga. Seja no frio europeu que anda fazendo nos últimos dias ou no abafamento do verão, pra mim este é o melhor horário para a diversão. Enão me venham pensar bobagens:)
É nas altas horas que eu gosto de ler e escrever. Nesses últimos dias, tenho me deliciado com A experiência do cinema, uma coletânea organizada pelo grande professor Ismail Xavier. O livro tem desde textos básicos de Eisenstein e Pudovkin, até ensaios de psicólogos aclamados discutindo a identificação do público com os personagens eternizados pela sétima arte. Mesmo diante de tantas boas opções, um texto não me saía da cabeça. Mais precisamente, um trecho do artigo A face das coisas, escrito pelo poeta e crítico húngaro Béla Bálazs. Diz o seguinte:

"Os bons close-ups são líricos; é o coração, e não os olhos, que os percebe."

Bravo! Pode soar piegas para alguns, mas sempre entendi o close-up como o grande trunfo do cinema. Vai dizer que você nunca sentiu aquele músculo disparar no seu peito quando o bandidão mais temido do oeste mete seus olhos sinistros na tela grande? O meu dispara só de imaginar a cena. Mas eu sou moça de interior e me encanto fácil por qualquer cowboy ;)
Toda essa ladainha é pra dizer que eu tenho sentido falta de olhares. Não qualquer olhar, olhares reais. Close-ups da vida real. O mundo tá virado em webcam, scrap, Twitter...não que eu não goste disso, eu a-do-ro, mas não pode ser esse o resumo da ópera.
Eu, uma tímida convicta, que fica da cor de um tomate maduro quando percebe que está sendo observada, peço em alto e bom som: olhe nos olhos, caramba! Daí você, do outro lado da tela, vai me responder: isso é mole. Não, meu querido, passa longe disso. Vão ter momentos em que esse gesto será mais dolorido que qualquer soco na cara. Depende de quem olha. Depende de quem vai ser olhado. Mas também pode ser um alívio, uma resposta sonhada pra uma pergunta que a boca da gente não conseguiu pronunciar.
Pronto, falei. Se esse mundo fosse mais moderno, olhava nos olhos de cada um dos meus leitores 9que são poucos, mas só gente buena) e agradecia a leitura deste post sem mover os lábios. Mas tô pensando seriamente em ensaiar meus dotes faciais diante da minha câmera amadora. Se der certo, mostro pra vocês. Em close.

Bjus da Bia

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Paiê!


Tá bom, é só domingo. Mas a ansiedade é uma moça que ainda me visita na hora do mate e vai ficando, ficando... Falar da minha relação com meu pai é engraçado. Passei boa parte da vida vendo ele como um irmão bem mais velho, sempre disposto a acobertar minhas travessuras e até incentivá-las. E como toda supla de "irmãos" as brigas eram frequentes. Sempre por bobeiras e nunca duravam mais do que meia hora. Os pedidos de desculpas aconteciam sempre antes dos dois pegarem no sono. Era a ordem da casa: ninguém vai dormir brigado.
Pra quem não sabe, meu pai é sapateiro e estudou só até a oitava série. Já a minha mãe é economista. Um casal insólito que se entende de um jeito que só vendo pra acreditar. Ele sempre disposto a aprender, viajando pros quatro cantos do mundo e escutando atento tudo que ela diz. Meu pai gosta de aprender e nunca se fez de vítima por não ter muito tempo de estudo. Adora uma novidade. Lembro da primeira vez que levei ele ao Cineclube UNIFRA, mostrei o informativo que eu havia escrito e assisti junto com ele Buena Vista Social Club, do Wim Wenders. A sessão terminou e saímos os dois faceiros. Eu soltando o verbo sobre o diretor alemão e ele só ouvindo. Gosto disso. E gosto mais ainda quando estou ouvindo música e ele passa pela porta e grita: "que rock pauleira é esse, dio santo!".
De uns 5 anos pra cá, a saúde dele ficou frágil e as idas e vindas do hospital aumentaram. E aumentou também a nossa amizade. Entre um exame e outro, trocamos ideias sobre carros antigos (nassa paixão!), eu ensinei ele como se faz um filme, li trechos de Clarice Lispector e aprendi táticas futebolísticas dos times de várzea. Também teve os silêncios. Mas não aqueles castradores, onde a gente não sabe o que faz. Silêncio porque não precisa dizer. Tá tudo ali, no olhar.

Hoje, depois de todos os perrengues que passamos juntos, sinto que ele não é mais meu irmão e sim meu pai. Uma palavrinha tão curtinha, mas tão legal quando a gente descobre o verdadeiro significado.

Bjus, Saulo Antônio!!!!! E gracias por ser o melhor pai do mundo!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Jornalista, muito prazer


Domingo fez um ano da minha formatura. Queria ter feito um texto festivo, falando de como o tempo voa, as coisas mudam e blá blá blá. Mas resolvi deixar quieto e "comemorar" sozinha. Há um ano atrás, eu era uma estudante de jornalismo ansiosa que viu o pai parar na UTI no dia da entrega de seu trabalho final. A festa foi pelos ares, a viagem que era o presente dos avós também. E não pensem que fiquei choramingando pelos cantos. Mas confesso que foi mais assustador do que eu imaginava encarar aquela banca examinadora. Eu precisava me concentrar e, volta e meia, me pegava pensando no meu pai, lá no hospital, preocupado comigo entre um exame e outro. E eu lá, tentanto convencer os colegas das minhas conclusões sobre cinema, cowboys e samurais. A minha maior paixão de um lado e o homem da minha vida do outro. Foi um sufoco, mas ganhei um 9. Não era o 10 que eu sonhava, mas naquela altura do campeonato, tava ótimo.
Veio a colação de grau, a melhora do papai e a primeira entrevista de emprego. Pasmem: fui com a certeza de que não conseguiria a vaga. Mas, pasmem em dobro, eu consegui. E, acompanhada do primeiro emprego como jornalista de verdade, veio uma esperança gigante de que as coisas iam melhorar.

Só que não melhoraram.

O ambiente maluco da redação era ótimo, aquela barulheira era tudo que eu sempre sonhei. Mas a minha falta de experiência e, antes de tudo, a minha inocência, ajudaram no meu medo. Pautas negadas, matérias onde eu deixei de ousar por burrice e alguns poucos momentos onde o retorno dos leitores me prpoporcionavam o único sorriso do dia.
Em casa, muito choro e uma semana sem dormir (isso é sério!) pensando na melhor decisão a ser tomada. Questionei minha escolha pelo jornalismo, pensei no que sempre quis, nos motivos que me levaram a ela. Era minha única certeza na vida: sabia que queria ser jornalista desde que me entendia por gente. Mas será que eu servia pra isso? Nunca quis mudar o mundo, mas o meu bairro já ia ser uma vitória. Queria o jornalismo porque gosto de gente, de histórias, de vida, de ouvir e ajudar a contar. Ao mesmo tempo, sempre me incomodou aquela coisa formal demais, cheia de dedos de alguns jornalistas. O mundo já é tão cheio de regras, tu passa o dia aguentando o patrão, a fila, o aperto do ônibus e ainda chega em casa e dá de cara com um cara sisudo, com um ar superior. "Eu sei das coisas, agora para aí e escuta". Sempre vi jornalismo como proximidade, a profissão capaz de aproximar mundos.

Agosto de 2010: sou jornalista há um ano, tô desempregada, mas continuo procurando, acreditando nos meus sonhos e convivendo com pessoas que me chamam de louca. Aliás, um dia ainda vou entrevistá-las, pode crer.

Bjus da Bia

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Diário de um bom ator


Em 1998 eu era fã do Leonardo DiCaprio. Eu e metade da população adolescente do universo. Ele vivia o auge da fama com o sucesso do barulhente e vazio de história Titanic, de James Cameron, o pai dos bichinhos azuis do Avatar. É aquela faze onde a gente se derrete por algum bonitinho do cinema ou da tv ou da música, abarrota as gavetas de revistas e sabe de cor as bandas que ele escuta. Uma menina tola, pra resumir. Mas naquela época eu já dava meus pitacos em cinema e corri atrás de outros filmes com Dicaprio que não fossem a versão modernosa de Baz Luhrmann para Romeu e Julieta ou o já citado desastre de navio que encheu os bolsos do Cameron. Ao lado de O despertar de um homem, onde Leonardo tem uma atuação incrível ao lado do grande Robert DeNiro, o meu preferido é Diário de um adolescente. No filme, o então franzino ator encarna o poeta Jim Carroll em sua fase mais pesada, onde se envolveu com drogas e escreveu seus melhores versos. Gosto desse filme pela condução do roteiro, pela trilha sonora sensasional, mas principalmente pelos olhares de DiCaprio. E não, eu não estou me derretendo. É raro um ator tão jovem expressar através do olhar a bagunça danada que passa na cabeça de um jovem talentoso que vê seu mundo desababar quase que de uma hora para outra. E Leonardo consegue. Com certeza, naquela época, ele não imaginava que se tornaria o queridinho das meninas, com direito a gritaria em porta de hotel. Mas como tudo nesse mundo de 15 minutos, uma hora a festa acaba. E ele não pirou. Foi lá, aproveitou o lado bom da grana e da fama e decidiu buscar novos filmes. Com sei jeito italianinho, conquistou o baixinho mais talentoso de Hollywood: Martin Scorsese.
Hoje é 2010, eu mandei pra reciclagem meus pôsteres do Leo e tenho plena certeza de que ele não vai casar comigo. Mas adoro rever Diário de um adolescente, ainda mais na versão em DVD com bons extras. Quem não conhece, corre lá. Jim Carroll escrevia como poucos. E Leonardo anda atuando melhor que muitos por aí.

Bjus da Bia