sexta-feira, 23 de maio de 2008

Desenho no espelho


...eu devia pegar as coisas e sair correndo. Encher a mochila com as tralhas preciosas e ir parar no fim de mundo de onde eu saí cedo demais. A qualquer momento ele bate a porta com força de gigante, mas antes ele faz aquela cara de quem não vai voltar nunca mais e nem meia hora depois ele aparece sorrindo pras flores da casa. Aumenta o perfume, o vento corre e dança com as cortinas velhas e coloridas. Não desbotaram enquanto ele vagava pela rua.
Chega cada vez mais perto...eu devo ser o tipo certo de garota garota errada pra ele, mas as ilusões gritam sem dó dos meus tímpanos e o meu coração, tenho certeza, se ainda existe, vai sair pela boca.
A boca...a boca dele não não precisa dizer nada, eu já entendi. Mas mesmo assim podia repetir. Mas fica quieto como criança que aprontou...mais a criança não sou eu?, pergunto sem parar para o espelho embaçado. Sou a mulher mais feia da cidade, não entendo como tudo aconteceu e como aquelas palavras dele vieram na minha direção.Tem uma multidão de fantasmas lá fora dizendo o meu nome...nunca consegui ser assombrada de perto. Nem mesmo em cômodos escuros como esse. Nem chama de vela traz pra perto esse medo que eu devia sentir. Ele continua...uma sequência de notas musicais indecifráveis, desafinado como sempre, sem perder o charme. Não sei o porquê...ou talvez apenas queria esquecer.

Ele sabe que eu vou pedir bis antes mesmo do fim da primeira canção.

Um comentário:

Tati Py disse...

Bia, precisamos conversar.
Adoro posts enigmáticos, mas preciso de detalheeeeeees!
Todos.
Até os sórdidos!
Ai, que me coço de curiosidade.

Beijos, queri