quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O cinema da minhas veias


"Quem só quer ver bons filmes, não gosta de cinema"(Rubem Fonseca, no conto Carpe Diem)

Eu amo cinema. Já aviso que não sou do tipo que trasformo o verbo amar em bom-dia. Aliás, eu não dou bom-dia pra qualquer um. Minha paixão pelo cinema é tão verdadeira que me permite dizer alguns não e fazer algumas queixas.
Lembram do post onde eu falava das coisas que eu não gostava e as pessoas não entendiam? Pois é, além do Radiohead, eu também não gosto do David Lynch. Não conheço o cara, mas já vi quase todos os seus filmes. Respeito-o muito. Sei de sua importância para a história do cinema. Mas não me derreto nem dou gritinhos quando ele aparece. Assisti Veludo Azul quando tinha 17 anos e não quero repeteco. Mesmo assim, não tenho o direito de dizer que odeio David Lynch. Acho O homem elefante um filme maravilhoso e gosto bastante da série Twin Peaks.
Poucos são os que me entendem quando eu saio de um filme e digo que não goste. Eles insistem que, com tantos filmes nas costas, eu já deveria ter uma mira bem treinada. Ledo engano. Cinema é que nem a vida: uma surpresa atrás da outra, uma caixinha cheia de decepções e descobertas animadoras. Nem só de filmes bons vive um cinéfilo. É preciso coragem pra arriscar o dinheiro numa produção que parece uma sessão de tortura. Claro que tem certas coisas que não me atraem, não vou sair de casa de banho tomado e ansiosa para ver o novo Pânico ou Jogos Mortais.Conhecço bem meu cérebro e meu coração. Mas também gosto de uma aventura, de vez em quando. Por exemplo: escolhi ver O amor não tira férias só por causa do Jack Black e do Eli Wallack. Tive que aguentar quase 2 horas de babaquices da Cameron Diaz, mas fui brindada com o talento sutil e elegante de Kate Winslet. Não foi minha melhor sessão, mas saí sorrindo da sala escura.
Pena que quem gosta de filmes-abacaxi não tenha a mesma coragem e se arrisque a assistir coisas "diferentes". É trisque saber que tem gente que prefere piadas baratas ao invés do humor fino; a violência clichê e barulhenta ao invés das sutilezas dos crimes bem engenhados.
Talvez um dia eu sinta um friozinho na barriga quando ouvir falar na estréia de um filme do Lynch. Por enquanto, não vou perder seus filmes, porque amo cinema e a tela diante de mim é muito mais do que diversão: é uma eterna descoberta.

Bjus da Bia

2 comentários:

JAMES PIZARRO disse...

Bia !

Tu és do tempo das microscópicas salas de 80 lugares nos shoppings, da internet com cento e poucos canais de telecine, dos DVDs, dos filmes baixados no computador.
Eu, Pizarrosaurus erectus (ainda bem que não é P. languidus), sou do extinto Cine Independência, com 1400 lugares, tela imensa, som estereofõnico que ribombava pelo ambiente todo. Sou do extinto Cine-Teatro Imperial, com seus 500 lugares e som forte... e pulgas sedentas do meu sangue. Sou do extinto Cine Glória, com 800 lugares, cortina imensa de lindo veludo e oito chafarizes com luzes coloridas no palco. Sou das telas imensas, dos sons barbarescos, da sessão começando às 19,30h embora o horário fosse às 20h...porque a lotação estava esgotada bem antes.
Onde botaram esta Santa Maria ?
Que fim levou meus cinemas ?
Como liquidaram rápido a minha infância !
PQP ! Que saudade dos meus filmes musicais e dos meus bang-bangs !
Hoje nem fazem mais filmes musicais...
Mas nisso eu e tu, Bianca, nos parecemos ! Gostamos de cinema !
Com jeitos diferentes de amar.
Mas sempre amor.
Beijos

JP

Tati Py disse...

Nossa, Veludo Azul é muito chato! Vi uma vez só e também não quis repetir. Mas não saberia fazer uma crítica ao Lynch. Não entendo tanto de cinema.

Quanto a gosto: é que nem bunda, cada um tem o seu. O lance é respeitar essas diferenças, que só enriquecem as relações, né?

Por exemplo: não gosto de faroeste. mas tu fala com tanto gosot que até me dá vontade de ver. A vida é assim, uma troca.

Beijos,queri!