quinta-feira, 9 de abril de 2009

Pergunta danada


Desde pequena escuto minha mãe dizer que eu tenho um coração grande. Deve ser por isso que quando eu penso que não cabe mais ninguém lá dentro, chega mais um. E chega pra ficar. E não são só pessoas, não. É coisa, lugar, pedaço de coisa, fotos, barulhos, canções, olhares, palavras, um doideira de meu Deus! E no meio deles, talvez lá na categoria Coisas, está o jornalismo. No dia 1° de agosto é a minha formatura. Eu devia estar soltando foguetes e dando cambalhotas no meio da avenida, mas me satisfaço ficando em casa, lendo uma pá de livros e artigos, em busca da monografia perfeita. Tá, perfeita não será, mas será minha, feito uma filha, a primeira da penca que durante a infância eu sonhava ter. E daí vem alguém e, nessa altura do campeonato humano, me solta essa: por que tu escolheu o jornalismo? Jesus, eu podia ficar sem essa.
Parece maluquice, mas levei um tempão pra responder e ainda assim respondi errado. Disse que era porque eu gostava muito de escrever. Não menti, mas essa não é a verdade inteira. O jornalismo caiu na minha vida de um jeito diferente, eu cresci dizendo pra mãe que queria ser bailarina. Dizia isso com um papel e uma caneta na mão. Criava histórias durante as férias e quando as aulas recomeçavam, eu me via perdida, tendo que abandonar aquela gente bacana que me fazia companhia. Senm contar que durante as aulas de matemática, eu sempre pensava o que teria acontecido à Amélia, uma das personagens que eu criei e para qual nunca dei um fim. Aliás, será que a Amélia ainda lembra de mim?
Eu poderia usar a minha já conhecida auto-ironia e dizer que o jornalismo me escolheu. Logo depois, uma boa gargalhada. Mas depois de umas horas pensando nessa tão pequena e complicada pergunta, acho que achei a resposta certa. Eu escolhi o jornalismo porque gosto de gente. As de carne e osso e as de papel.

3 comentários:

Tati Py disse...

Escrever é vício, né?
Não é à toa que, mesmo depois de escrevermos aquilo que PRECISAMOS escrever, chegamos em casa e escrevemos mais, aquilo que QUEREMOS escrever.

Eu amo muito tudo isso!
Hehehehehe

Beijinhos

JAMES PIZARRO disse...

Escrever é um vício e uma doença...é uma coisa tão patológica que se não pagassem a gente, a gente escreveria de graça mesmo. É que nem dar aula. É uma atividade movida à paixão.
E como os donos do dinheiro e os patrões sabem disso, exploram a gente.
Beijo

James Bond+

Danni disse...

perguntinha safada mesmo!
hehehe
ora "por que?", tu nao perguntou pra pessoa por que ela decidiu ser o que ela é hoje?? hahaha eu já lascava essa :P

biaaaa, só tres meses?
te desejo mto sucesso, tu sabe! :)