segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Tiro certeiro


Você se lembra dos primeiros filmes da sua vida? Mesmo que o título e o nome do diretor não surjam de primeira, nossas primeiras experiências cinematográficas costumam deixar marcas profundas. A força das primeiras produções que nossos olhos assistem é tão grande que, por mais que o tempo modifique nosso modo de ver o mundo, os primeiros heróis e planos se fazem presente. O diretor texano Robert Rodriguez é um bom exemplo disso. Entre seus filmes favoritos estão clássicos dos filmes de ação, filmes baratos com interpretações duvidosas e uma trama que abre espaço para tiros e sangue a cada segundo. Essas produções tinham presença garantida na tela da TV no final dos anos 80 e início dos 90. Chuck Norris, Sonny Chiba, Bruce Lee e Jean-Claude Van Damme são alguns dos nomes da época. Se você tem menos de 20 anos talvez não faça idéia de quem eles são. Mas com certeza você conhece Machete.
Lançado em 2010, Machete é parte de um projeto de Robert Rodriguez de homenagear o cinema trash que animou sua adolescência. Se valendo dos clichês que sustentam 10 em cada 10 filmes de ação americanos, o diretor trouxe para tela o ator e amigo Danny Trejo para o papel-título. Em tempo: o personagem já havia aparecido em outros filmes do diretor, como os da série infantil Pequenos Espiões, que ganhou quatro sequências e também em Planeta Terror, onde Rodriguez dividiu a direção com outro amante dos filmes baratos, Quentin Tarantino.
O protagonista é um ex-federal bom de briga, de tiro e de faca que é contratado para matar um senador que tem o projeto de cercar a fronteira americana com cercas elétricas para impedir a entrada de imigrantes mexicanos ilegais. Mas ao invés de concluir seu trabalho, Machete é usado como bode expiatório e acaba perseguido por Torrez, um poderoso traficante que, no passado, havia assassinado a mulher de Machete. Torrez é interpretado por um nome brilhante do cinema de ação trash, Steven Seagal, que desde 2002 não dava as caras na telona. Machete, mesmo cheio de habilidades, contará com duas belas ajudas: a fiscal de imigração com o sugestivo nome de Sartana, uma clara referência a um dos mais famosos personagens do gênero western-spaghetti, vivida por Jessica Alba e Luz,uma mexicana boa de briga interpretada pela linda Michelle Rodriguez.
Cenas surreais, mulheres sensuais, muito sangue, armas poderosas e uma única ordem: não se levar a sério. Rodriguez, ao contrário de muitos diretores, não está interessado em pretensão ou obra de arte. Ele quer apenas fazer filmes divertidos. E consegue. Afinal, não é todo dia que a encrenqueira Lindsay Lohan dá as caras vestida de freira e portando um revólver. Imagens que você só verá num filme de Rodriguez. E antes que alguém venha com cinco pedras na mão dizer que Machete é perda de tempo, eu já aviso: uma das principais funções do cinema é a diversão. E diversão não exige cara de intelectual e diálogos complexos. Relaxe, amigo. Machete tem tudo que nos move desde os tempos das cavernas. Ou da Sessão das Dez.

3 comentários:

Gabriel disse...

Concordo com tudo o que foi dito no texto. Parabéns!

Fernando disse...

Hehehehe... E põe tiro certo nisso! Rodriguez conseguiu um filme divertidíssimo em que nenhum momento se leva a sério. O cara conseguiu reunir todos os exageros necessários para um ótimo filme digno da Sessão das Dez. heheheh

Gostei da crítica!

Johnny Pinto Dornelles disse...

Perfeitos os comentários. Ainda bem que existe a mente da Bia para nos salvar e mostrar que cinema é muito mais do que imagens bonitinhas e $$$.