domingo, 6 de dezembro de 2009

Ousar: verbo definitivo


Tem dias em que se acorda e parece que o mundo acabou. Ou apenas ficou opaco, eu acho. A gente se sente um dragão, aflora na pele a tal confusão que resolve vir me mala e cuia pro coração. É como se fosse um alerta. Olha, faz alguma coisa, toma algum rumo! Daí a gente vai lá e toma. Rasga as páginas. Troca os horários. Pede arrego e encontra uma nova liberdade. Pensa na pobreza do mundo e na de espírito dos que tem muito e não fazem nada pelos que tem pouco. Chora baixinho e não dói, pois não é choro de tristeza. É desabafo. Pronto, vai passar. Acabou. A falta de amor virou detalhe, os olhos brilham por outros pequenos prazeres. Café com bolo, por exemplo, sozinha no meio da madrugada. Ou cantar baixinho como se tivesse uma bela voz. O joelho esfolado não incomoda: cair acontece. E faz bem. Assumir que vai conseguir viver com os sonhos difíceis que ganhou de presente da vida. quase tatuou no pulso a palavra ousadia em letras garrafais. Decidiu que o tamanho podia ser menor. Ousar não é exagero. Sutileza é a ordem. Vai ousar sem precisar de decote ou gritos. Vai surgir provocante para o próprio espírito e deixar-se seduzir sem culpa. Me rendo. Em todos os sentidos.
Maluca. Desnorteada. Feliz. Ousada. Agora entende porque nasceu com um rosto comum, que não chama a atenção no meio da rua: seu interior inquieto já basta.

3 comentários:

JAMES PIZARRO disse...

É por isso,entre outras coisas, que eu te adoro.
Beijãoooooooooooooooooooo

Pizarro

Julio Marin disse...

Não sei se gostas... mas vejo agora uma instrospecção madura, sutíl, melancólica... uma Bia... misturada... feita... pronta pro mundo...

Lindo.... e linda... padrões e caras estranhas nos permitem ser mais ousados ainda. Ou melhor, nos obrigam a ousar.

Beijocas

de mau humor disse...

Belo texto, Bianca...Gostei desse viés de ousadia.É preciso ser ousada e corajosa pra rasgar páginas mesmo e assumir as reais vontades.