domingo, 17 de agosto de 2008

Ela chegou

Menti demais por 21 anos. Me enganei, passei pano com perfex na minha face e noresto do corpo inteiro. Virei menina limpinha, cheirosa de flor e incrivelmente sociável. Quando fechavaa porta,agüentava a fera com certo prazer. Era a Bia do mundo contra a Bia real. Muito arranhões, vasos quebrados e folhas rasgadas. Estou aqui pra cumprir minha missão, dizia uma. Tua missão que se exploda!, retrucava a outra.
O peso nas minhas costas estava demais. Precisava me livrar, um jeito engraçado de falar a palavra libertar. E quando mais um príncipe apontou no horizonte, com seu sorriso de porcelana e suas palavras milimetricamente perfeitas, cedi. Não pensei antes de mostrar-lhe o dedo médio e sorrir gargalhando. Vou voltar correndo e me jogar ofegante nos braços do meu cafajeste! Ele erra o verbo e eu gosto assim. Lê por diversão e não para encher a estante, mera decoração. Ele é. Não faz de conta ser.
Ela chegou. A verdadeira Bia. Entrego de mão secas a arma. Lhe darei a honra de apertar o gatilho. Dois tiros, por favor. Quero bem morta. Bang-bang! Igualzinho os rapazes do filme do Don Siegel. Tá feito o serviço. A Bia real assume o porto e assina o compromisso de nunca deixar o cargo. Assina embaixo, em cima e rabisca nas paredes também. O velho poema se repete. Vai ser tua Bíblia a partir de agora. Rasgo a roupa e me entrego. Nunca fui tão certa: errada e imperfeita, do jeito que eu quero.
Está tudo no caminho certo. O torto, é claro.

2 comentários:

Anônimo disse...

Bia, adoramei isso.
ótimo, ótimo.



Silvana Tatto

Romulo disse...

Bia escrevendo como muito!!!
:D

Estarei te add no blog day!


abraço