segunda-feira, 28 de junho de 2010

Influências II - A missão


O clima é de Copa, eu não nego o sangue do meu avô e passo o dia fazendo bolão, analisando jogos e sofrendo horrores entre uma comemoração e outra. Até TPM some! É a magia do futebol que, como diz minha querida amiga potteriana Marcelle Andrade "se você não ama futebol, você não ama nada". Yeah! Só que além de futebol, chocolate e coca-cola, eu não consigo esquecer meu outro vício: o cinema.
Ontem, pra esquecer um pouco as imagens de 22 homens correndo atrás de uma bola, resolvi assistir Planeta 51, animação que perdia a chance de conferir na tela grande. E que maravilha! O visual impecável mistura anos 50/60 com visual futurista e inverte as coisas: ao invés dos ets invadirem a Terra, é um astronauta (vaidoso por demais) que acaba aterrisando num planeta habitado por alienígenas. Confusão na certa. E, como toda produção da terra do Tio Sam, estão lá o nerd, o garoto tímido apaixonado pela amiga bonitona e revolucionária e por aí vai. Mais isso é só um detalhe. O grande barato de Planeta 51 são as influências. Entre uma piada e outra (todas ótimas!), nos deparamos com referências a filmes como 2001: Uma Odisséia no espaço, Dançando na Chuva, ET - O extraterrestre e até ao clássico do terror trash O ataque da mulher de 15 metros. E a citação do meu doce favorito, o Twix? Coração ficou feliz que só vendo.
O detalhe que mais impreciona é que a produção não é filha nem da Pixar, nem da Disney e muito menos da DreamWorks. A responsável é a espanhola Ilion Animations da Espanha, apesar do filme fazer claras referências ao american way of life e a "bondade" dos americanos. Aliás, grandes nomes do cinema made in USA estão por trás dos personagens, tais como Gary Oldman, Jessica Biel e John Kleese.

Bom, hoje é dia de torcer, sofrer um pouquinho e depois discutir o futuro da nação futebolística com os amigos. Mas, entre um jogo e outro, corra até a locadora e pegue Planeta 51. Gol de placa garantido.

Bjus da Bia

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Influências


É tempo de Copa do Mundo e como aqui em casa nessa época todo mundo fica meio doido e disputando a pipoca e o melhor lugar no sofá, ando um pouco distante desse meu cantinho. É jogo antes do almoço (isso quando eu tenho tempo de almoçar!), estudos de teoria do cinema (cansa, mas é bom), jogo de tarde e a noite ainda tem mais leitura e, pra não perder o vício, um bom filme. Nessa minha vida de investigação cinéfila, descobri que muita gente não entende, ou não gosta, de Tarantino, Almodóvar e Scorcese por um simples detalhe: não conhece suas influências e, por consequência, seus "sinais" dentro dos filmes. Parece a coisa mais óbvia do mundo, mas só por esses dias me dei conta disso, depois de ver um amiguinho do meu afilhado ficar de boca aberta e quase babar assistindo Kill Bill. Passei a tarde terminando editando um texto e escutando exclamações como "que massa!", "Olha isso!", "Pô, esse é o melhor filme que eu já vi!". etc. Tive que admitir que o garotinho tem bom gosto, mas não me contive e fiz o mesmo que meu avô fazia quando eu me admirava com algum filme. Saca só a cena:
- Gostou do filme?
-Aham (meninos de 10 anso sempre ficam tímidos com meninas mais velhas e chatas. Por isso, levei o aham na boa)
-Legal esse macacão amarelo, né?
-Massa! Também gostei da musiquinha e dos caras mascarados.
- É do Besouro Verde.
-Como?
-Essa música é do Besouro Verde, um seriado que começou no rádio depois foi pra tv. Tinha o Bruce Lee, que é o cara que usou um macacão amarelo igual a esse num filme chamado Operação Dragão.
-Como tu sabe isso.
-Sabendo.
Ele deve ter ido pra casa pensando que eu era louca ou mentirosa. Ou as duas coisas. Ou entãso foi confirmar com alguém da família se eu tinha ou não razão.
Muitos críticos dizem que esse excesso de influências e citações pop nos filmes servem pra esconder a falta de criatividade do realizador. Discordo. Uma coisa é plágio, outra coisa é se deixar levar pelo que a gente gosta e dividir isso com o público. Tarantino não seria Tarantino sem a música boa, a máfia não seria nada nos filmes de Scorcese se não fosse os Stones e Almodóvar não seria o mesmo menino observando a mãe sem Bette Davis e sua Margo Channing. E a vida não seria tão divertida sem aquela sensação de estar no cinema e pensar: já vi isso em algum lugar.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Feitooooo!


Não nego a raça: quando o assunto é futebol, eu sou igualzinha ao meu avô. Ou seja, digo por aí que não gosto de Copa do Mundo, Libertadores e tal, mas no fundo sofro horrores. Grito, me descabelo e tento não perder a classe (se é que eu tenho isso!).
E sobre a atitude do Dunga na coletiva de imprensa, só tenho uma coisa a dizer: foi uma grande falta de educação. Tudo bem que muitos jornalista pegaram pesado quando o assunto era a escalação de Dunga, mas isso não é motivo pra largar indiretas e palavrões bem audíveis. A imprensa está lá para cumprir o seu trabalho de informar e opiniar e ele de treinar os jogadores pra tentar fazer um país inteiro comemorar. Só que a cara amarrada e o jeito "machão de Ijuí" estão falando mais alto. Felipão também era respondão, mas nunca deixou isso subir a cabeça. Jogo em primeiro lugar. Já Dunga parece se preocupar mais com o que falam sobre ele e com seus modelitos fashion a beira do campo.
Essa é a minha opinião. Dunga poderia se fazer de surdo quando os jornalistas não lhe agradam e focar nos jogos e sistemas táticos. A torcida agradece.

Bjus da Bia

Enfim, Alice


Passado o alvoroço em torno de Alice no Pais das maravilhas, de Tim Burton, me sinto a vontade para transmitir minhas impressões sobre o filme. Pra começo de conversa: Alice não éo melhor filme de Burton, é apenas o mais comentado. O culpado disso é a Disney, que investiu dinheiro e tempo na versão da história de Lewis Carrol. Mesmo com os discutidos cortes e alterações no roteiro definidas pela produtora, a assinatura de Burton está lá. De leva, mas está. O clima dark, fantasmagórico, maluco, divertido. Mas Alice não é mais a mesma. Para quem leu o livro ainda na infância, como eu, é um tanto quanto estranho ver a protagonista como uma garota de 19 anos, um tanto quanto confusa para a idade. Mesmo que o livro seja daqueles que trazem um novo significado para o leitor a cada fase da vida, essa mudança na trama me incomodou bastante.
Em 3D, Alice tem impacto, enche os olhos e dá até vertigem em alguns momentos. Nota dez para a diversão e nota mil para a senhora Burton Helena Bonham Carter, no papel da Rainha Vermelha. Já Anne Hathaway estava um tanto afetadinha como a Rainha Branca, numa interpretação que não convence nem quem tem menos de 5 anos. E Johnny Depp...bom, ele é Johnny Depp e isso quer dizer ser vários. Apenas concentrou-se a deixar transparecer o Chapeleiro Maluco que mora nele.
No fim das contas, Alice no País das maravilhas é um bom filme, diversão de qualidade mesmo. Mas o talento de Tim Burton foi contido em nome de uma bilheteria garantida. Mas isso tem o seu lado bom: Burton nunca esteve tão em voga. Foi presidente do jurí em Cannes e tem concedido entrevistas para os principais programas de tv. Uma bela vitrine para chamar a atenção para seus filmes anteriores, desde As aventuras de Pee-Wee até Ed Wood. Como fã antiga do diretor, eu torço por isso. Afinal, sucesso costuma trazer na garupa a possibilidade de investir no projeto dos nossos sonhos.

E antes de me despedir, recomendo que todos leiam o livro, não importando a idade. Eu li aos 7, depois aos 15 e agora, aos 23. Cada leitura me deu um livro novo e cada vez melhor.

Bjus da Bia :)))

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Antes que a gente se perca por aí


Nostalgia faz coisas que até Deus duvida. Lembram de um post que eu fiz sobre adolescência, rasgando o verbo contra essa fase da vida tão lembrada e discutida? pois é, hoje me peguei sentindo saudade dos meus 15 anos. Tudo culpa da diretora gaúcha Ana Luiza Azevedo e o seu agridoce Antes que o mundo acabe. Ao contrário de outro filme que retrata a adolescência, As melhores coisas do mundo, de Laís Bodanzky, o filme de Ana mostra adolescentes normais vivendo situações normais, sem aquela coisa forçada de gírias e atitudes tolas, tudo isso ambientado numa cidadezinha do interior do Rio Grande do Sul. Cenário esse que me lembrou muito a minha juventude(!!), principalmente as cenas de passeios de bicicletas e as ambientadas na beira do rio Caí. A cena dos três protagonistas sentados numa pinguela já foi vivida por mim há 8 anos, na tão tão distante Faxinal do Soturno.
Ser adolescente já é brabo, mas ser adolescente no fim do mundo é pior ainda. Todo mundo se conhece e por isso muitos se acham no direito de se meter na tua vida. Isso sem contar a distância do mundo, das coisas que tu sonha, sejam elas uma escola melhor ou um filme pra assistir. Mas tem lá o seu lado bom. Numa selva de pedra é quase impossível imaginar três adolescentes enchendo a cara na torre da igreja. E isso tá lá no filme. E na minha biografia também, diga-se de passagem.
Antes que o mundo acabe é daqueles filmes pra se preservar na memória e na estante pra que a gente não esqueça que, mesmo que tenha sido aos trancos e barrancos, ser adolescente é o primeiro passo pra descobrir que tipo de adultos queremos ser.

Hipnótico


Saramago nos deixa e eu não sei o que dizer. Isso porque ele sempre me deixou sem palavras diante de seus livros, em especial O evangelho segundo Jesus Cristo. Vai fazer uma falta danada. O bom é que será eterno em suas páginas hipnóticas. E você aí, esqueça um pouco dos scraps e afins e vá ler Saramago. Ele tem as perguntas que você vai levar para sempre.

Bjus da Bia

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Pipoca e guaraná é preciso


Odeio a palavra cult. Mais do que isso: odeio o significado que ela ganhou nos nosso dias. Cineastas cult, filmes cult, pessoas cult. Um rótulo que não garante qualidade nem define nada. Há cults que passam na Sessão da tarde e há cults que são conhecidos só por meia dúzia de criaturas. Cult é terror é comédia, é aventura. É tudo e também é nada.
E pode anotar: quem diz que gosta de filme cult quase sempre entende necas dos filmes e gosta só 'porque é cult'. Uma falta de personalidade de primeira grandeza, não acham? Eu tive a oportunidade de conhecer um exemplar deste tipo na semana passada. Um doce de pessoa, muito educado, mas sem a mínima liberdade de escolha. Quando falei que não conseguia encontrar a versão importada de Os Goonies, cheia de extras, ele veio todo animado, rasgando seda as pencas pro filme. 'Muito cult', ele dizia. Confesso que essas duas palavrinhas acenderam minha luz de alerta. Lá vem abobrinha sem tempero, pensei eu. (Adoro abobrinha, o legume)
Acertei na mosca. Quando citei Flashdance e Footloose como um dos meus preferidos da infância, ele começou o discurso: 'cinema pipoca é lixo!'. Meu nego e Os Goonies são o que, senão cinema pipoca? Hein? Como eu não sou de levar desaforo pra casa (minha mãe diz que é falta de educação sair de uma briga sem bater, hehe), pedi licença e comecei o meu discuro. Inflamado, diga-se de passagem.
Se não fossem o cinema pipoca, o número de suícidios seriam muito maiores, as crianças muito mais infelizes e os adultos uma massa de gente chata e de cara amarrada. O cinema pipoca anima fins de semana e faz a gente lembrar a importâcia de ser bobo. Mas lembre-se, ser bobo é uma coisa bem diferente de ser imbecil. Histórias doces, simples, até irreais fazem bem pro espírito. O que não vale e se deixar levar por qualquer porcaria que se movimenta numa tela grande.
Voltei pra casa me sentindo vencedora, mesmo sabendo que o meu opositor no debate era fraco. Peguei o caminho de casa relembrando os tempos em que me preparava para as aulas de balé me sentindo a protagonista do filme de Adrian Lyne e economizava minha mesada para comprar uma polaina nova.
Eu não tenho mais 13 anos, desisti de ser bailarina profissional e só uso polaina nos dias frios. Mas continuo assistindo Flashdance. E comendo pipoca. Tão feliz quanto nos dias em que espero numa fila gigante pra assistir Inferno, do Clouzot.
Afinal, pra comer pipoca é preciso cérebro. Senão a gente engasga. E isso não é cult.

Bjus da Bia

Pra matar a saudade e sair dançando pela casa!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Pra ver chutando o balde

Amiguinhas, a TPM está eternamente em cartaz com quem convive com mulheres. Quando não é você própria, é a vizinha que escuta sertanejo e chora a todo volume ou então aquela sua prima que te liga de madrugada pra cobrar o empréstimo de um vestido que você nem lembra mais se habita o armário. Resumindo o concerto, passei os últimos dias rodeada por mulheres de TPM e isso me fez pensar em colocar em prática uma teoria que eu uso desde que a maldita porém quase sempre desejada menstruação passou a fazer parte da minha vida: a terapia dos películas femininas.
Pra todo mundo entender melhor do que estou falando, uma pequena história: eu e umas amigas costumamos trocar receitas sobre alimentos, exercícios, hábitos e até simpatias ( o desespero faz cada uma...) que ajudam a amenizar a tal da TPM. Entre chazinhos e "não toma banho gelado senão piora", sempre tive a tentação de instruir minhas amigas sobre a teoria e escolhi o dia de ontem para isso. Depois de uma breve explicação por msn ( já que uma delas está em Portugal e mata a gente de saudades), dei todas as instruções do tratamento. Aí veio a ideia de divivir com os meus poucos, porém muito queridos leitores.

É assim ó: basta assistir aos filmes certos que os sintomas passam, pois os filmes, por nos fazerem pensar na situação dos personagens, desvia nossa atenção. Ou seja, nossa raiva ganha a tela por meio do soco de uma protagonista e namorados, amigos e afins saem ilesos desse período de dias de fúria. Logo abaixo, uma pequena listinha de dicas dos medicamentos que eu uso:

Fale com ela - Dir. Pedro Almodóvar
A vida secreta das palavras - Dir. Isabel Coixet
Garçonete - Dir. Adrienne Shelley
Uma aventura na África - Dir. John Huston
Noivo neurótico, noiva nervosa - Dir. Woody Allen
Ama-me esta noite - Dir. Rouben Mamoulian

E pra todas nós que sabemos o quanto é complicado e divertido ser mulher, um comentário daquele filme que define todas nós naqueles dias.


Bjus da Bia

Bjus da Bia

terça-feira, 15 de junho de 2010

Class


Ainda tem gente que se admira quando eu digo que gosto de moda. Qual o problema? Só porque eu privilegiu pessoas com cérebros não posso gastar meu tempo livre admirando vitrines? Ah, faça-me o favor! Moda é talvez a forma mais democrática de se expressar, te permite esconder segredos, criar personagens em momentos de fraqueza e ser você mesmo, se possível, em todos os momentos.
Comecei a me interessar por araras, cabides e tecidos através do cinema (grande novidade!), enchendo os olhos com os modelitos de época e os criados pela criativa Edith Head, que marcou época em Hollywood por ser linha dura e, ao mesmo tempo, agradar a todas as estrelas com seus modelitos. Pretos básicos, vestidos grandiosos e aquelas cinturas marcadas dos anos 50 eram e ainda são meu sonho de consumo. Coisas da cabecinha de uma garota que queria ter vivivdo numa época onde glamour valia mais do que vulgaridade. Sim, porque convenhamos, a brasileira é uma das mais mal-vestidas do mundo. Digo isso porque acredito que a grande moda está nas ruas e, basta uma voltinha por aí para se dar conta de que a grande maioria não tem a mínima classe ou senso do rídículo. Brasileira adora tudo no aumentativo. A calça é ultrajusta, a blusa ultracurta, o vestido ultracolorido, o sapato deixa as moçoilas nas nuvens. Tudo isso junto ao mesmo tempo.

Mas nem tudo está perdido...

Passada as duas principais semanas de moda do Brasil, o Fashion Rio e o SPFW, a presença grandiosa e sempre simpática de Costanza Pascolato se faz presente em quase todas as mídias. E ela é incrível sempre! Seja de Casaco verde e sapatilha, seja ostentando seus fabulosos e cobiçados anéis tamanho GG, Costanza não perde a elegância. Sem contar a cabeça aberta e o gosto por boas bandas de punk rock.

Viva Costanza!

E pra quem não conhece a moça e sua história, vale a pena dar uma conferida no vídeo abaixo e també o livro Confidencial, lançado no ano passado.

Bjus da Bia

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Preço de banana


Minha mãe tem razão: eu não resisto a um balaio de dvds. E como toda compulsiva em cometo meus erros na hora das compras. Há tempos quero dividir com vocês essa minha sina, mas sempre achei que o assunto não ia render. Mas como a coisa toda tornou a se repetir, lá vamos nós!
Todo cinéfilo gaúcho que se preste já viu, pelo menos uma vez na vida, um dvd da USA Filmes.A tradicional gravadora e distribuidora gaúcho resolveu investir suas fichas no relançamento de clássicos do cinema, em especial westerns e filmes de guerra. Tudo isso a preço de bananas. Quer maior tentação que ver Shalako, Sangue de Heróis, A cruz de ferro e Charada por míseros R$9,90? Não dá pra resistir. Mas o brabo é chegar em casa. Tirando um que outro, os filmes tem erros nas legendas, extras toscos e erros de português grotescos nas capinhas. Isso sem contar uma versão dublada em espanhol de Charro, com Elvis Presley! Vixi! Confesso que me doía levar pra casa coisas assim, mas que fazer se a grana é curta e a vontade é muita. A arte de fazer muito com pouca grana que eu aprendi com a minha família, prega que é nesses momentos que a gente faz grandes descobertas. Enfim, meu inglês teve que voltar a funcionar devido as legendas falhadas e, graças ao preço, eu consigo ver coisas do tempo do epa e rever e guardar meus filmes preferidos.
Já deu pra perceber que minha relação com a USA Filmes é de amor e ódio. Como toda boa paixão. Vamos ver se eu resisto ao próximo balaio.

Bjus da Bia

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Mordida


Já passou a loucura, então tá na hora de falar um assunto que há um tempinho anda me perseguindo. Vamos a ela!
Quando trabalhei no DSM foi-me proposto o seguinte desafio: escrever uma matéria para o Mix sobre a saga de livros/filmes Crepúsculo. Eu, pra variar, estava boiando. A única coisa que sabia ao certo era que os principais personagens da história eram vampiros e que a virgindade e outros assunto românticos demais pra atualidade faziam parte da trama. Como eu tinha um texto me esperando, o jeito foi fazer um curso intensivo. Consegui, sabe-se lá Deus como, ler os três primeiros livros da série em duas noites. Confesso que rezei pra os capítulos terminassem. A trama é mal amarrada, o amor central é completamente fora da realidade, nem em martedeve existir algo assim, isso sem contar que a autora conseguiu a proeza de transformar a mais sexy das criaturas dos filmes de terror em um bando de branquelos que têm medo de morder garotas.
Eu aguentei gritos na sessão de estreia, mais um monte de conversa sincera de fã, que sempre acha argumentos para defender seus ídolos, mas nada me convenceu. Escrevi minha matéria, mas tenho uma ponta de certeza de que os leitores perceberam que eu não recomendava a tal saga.
O excesso de informação talvez tenha sido o culpado por ter saído por aí questionando o talento do elenco. Mas, dias atrás, resolvi assistir Lua Nova no aconchego do lar, sem nenhum fã histérico por perto. Não gostei, mas não posso negar o talento de Kristen Stewart. Ela conseguiu acresentar charme e até um certo sex appeal a personagem mais sem sal que a literatura e o cinema já viram. Em suas entrevistas, ela deixa claro que aceitou o papel de Bella pela grana e pela exposiçãop e que, de agora em diante, vai se dedicar a projetos mais independentes. Uau! Nada como ser sincera com elegância! Eu já tinha gostado dela em outras produções como Férias frustradas de verão(ela está ótima!!) e em The Runaways, que eu assisti sem legendas lá fora e quero ver de novo quando estrear por aqui. Em outros termos, virei fã da guria e até já me peguei discutindo com alguns Crepúsculomaníacos sobre ela. Pasmem: elas conseguiram até a proeza de me fazer achar Robert Pattinson bonito. E ele é. Mas tem muito que aprender com a namorada, principalmente no quesito talento e personalidade.

Enfim, cravei meu dentes em Crepúsculo, achei o gosto do sangue doce demais pro meu paladar. Mas da Kristen, eu gosto.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Um dia, talvez dois

Sabe quando as coisas passam rápido demais? Pois é, muita coisa aconteceu de domingo até hoje.E a impressão que eu tive é de que capturei apenas alguns momentos e que eles tomaram conta da minha cabeça por mais tempo do que deveriam. O pior foi que interromperam meus estudos, pois a concentração foi pelos ares.
Primeiro foi Dennis Hopper pregando uma peça nos amantes do cinema. Precisava ir tão cedo? Tudo bem, ele não era nenhum garoto, mas tinha tudo pra conseguir grandes papéis, daqueles que só a maturidade nos proporciona. Foi o primeiro grande rebelde do cinema, o autêntico anti-herói. Quem assiste Coração Louco, por exemplo, percebe que tudo começou com Hopper e permaneceu com ele. Os malucões que vieram na sequência não passam de cópia barata, onde a embalagem esconde um conteúdo materialista e conservador. Vai fazer uma falta danada e ao mesmo tempo vai durar para sempre. O cinema tem esse poder.


Ontem eu levantei cedo e peguei aquele recorte de revista envelhecido. Uma reportagem da revista Cláudia sobre o lançamento de As Pontes de Madison. Na época, Clint Eastwood, o meu tio Clint tinha 65 anos e fazia a mulherada suspirar nos cinemas. Uma sensibilidade que nenhuma diretora, por mais feminina que fosse, conseguiria. Fez o mais romântico de todos os filmes, na minha humilde opinião. Dei um beijo na foto e desejei parabéns. Agora ele é um octagenário. O mais sexy deles, eu tenho certeza. Isso sem contar a competência ( ele nunca estoura orçamentos!) e o bom gosto para escolher roteiros. Enfim, apaixonante.

Depois chegou a noite e o programa Roda Viva me presentei com uma entrevista com a deusa Fanny Ardant. Ela está em São Paulo para divulgar seu primeiro trabalho como diretora, o curta Chimères absentes. Aos 61 anos, ela esbanja uma inteligência e um charme que só as francesas têm e que talvez as brasileiras nunca alcancem. Além da liberdade, da fala mansa, da emoção nada contida ao falar dos homens de sua vida (entre eles está Truffaut!)ela encantou os entrevistadores e mostrou que envelhecer não tem nada a ver com ficar em casa cuidando dos netos. Como ela mesmo diz, faz com orgulha a apologia da desordem. Amém, Fanny!!!